CONFLITO - Tensão entre brasiguaios e carperos permanece
O clima de tensão entre os agricultores brasileiros que construíram seu patrimônio no Paraguai (os chamados brasiguaios) e os carperos (como se autodenominam os sem-terra paraguaios) continua. Um produtor, filho de família brasileira, ouvido pela FOLHA, informou que a insegurança e o medo de possíveis conflitos ainda são muito grandes.
As ordens de despejo expedidas pela justiça paraguaia não estão sendo cumpridas pelo governo, denuncia Marcio Giordani, agricultor de Santa Rosa del Monday, que fica na região visada pelos carperos. O problema foi mostrado pela FOLHA em julho de 2010.
De acordo com Giordani, embora o governo de Fernando Lugo tenha declarado que tudo será feito para evitar conflitos, na prática poucas ações têm sido registradas. Segundo ele, esta semana o governo instalou 15 escolas sob lonas para atender cerca de 800 crianças das famílias de carperos.
Diferentemente dos campesinos, que ameaçavam invadir terras e durante muitos anos foram o principal temor dos brasiguaios, os carperos são paraguaios que questionam na justiça a validade dos títulos de propriedade obtidos há décadas pelos brasileiros, entre eles muitos paranaenses.
● O seu nome é derivado do guarani e significa grande rio, referindo-se ao rio Paraguai, que divide o país, localizado no centro da América do Sul
● Segundo o Centro Empresaial Brasil-Paraguai, a maioria da população paraguaia e a imprensa daquele país estariam a favor dos brasiguaios e contra o uso eleitoreiro da questão agrária
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