Confissões de um ex-idiota útil
Durante muitos anos, eu fui um idiota útil. Saiba como não cair no mesmo erro
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de maio de 2019
Durante muitos anos, eu fui um idiota útil. Saiba como não cair no mesmo erro
Paulo Briguet 
Em seu livro “O Problema do Sofrimento”, C. S. Lewis fala sobre as três principais espécies de mal: a injustiça, o erro e a dor. A mais temível característica da injustiça e do erro é que ambos podem ser ignorados mesmo por quem está dentro deles. Quer dizer, você pode passar a vida inteira cometendo um erro ou sendo injusto sem perceber o que faz. Nesse sentido, a injustiça e o erro são semelhantes à burrice: quanto mais você tem, menos você sabe que tem.

Com a dor não é assim: você sempre sabe que ela está ali. É o sinal de que algo não vai bem. Já ouviu falar na síndrome de Riley-Day, também chamada de analgesia congênita? Trata-se de uma doença em que a pessoa nasce incapaz de sentir dor. Em geral, as pessoas com síndrome de Riley-Day não vivem mais de 30 anos. Morrem feridos, sem saber que estão feridos.
Por esse motivo, C. S. Lewis vê na dor uma graça de Deus. O próprio Cristo teve de passar pela maior dor concebível. E nós também não escaparemos dela. Por ter consciência disso, repito diariamente a mesma prece, inspirada em Dostoiévski: “Senhor, tornai-me digno dos meus sofrimentos!”
Durante muitos anos, eu fui um idiota útil. Vivia no erro, pelo erro e para o erro. Não acreditava em Deus e pensava que o único sentido da vida era a obtenção de prazer e poder. Dizia-me um “revolucionário” (ou seja, um homem em rebelião contra a verdade). Feri, menti, traí, até matei.
E como eu deixei de ser um idiota útil? Graças à misericórdia de Deus, que me enviou Sua mensageira, a dor. Todo mundo conhece o ditado popular: “Quem não aprende no amor, vai aprender na dor”. Pois é, está corretíssimo.
Até os trinta anos de idade, fui militante de esquerda. Minha vida era um pêndulo entre o erro e a injustiça, sustentado pela mentira. Não fosse a dor — a dor da decepção, da angústia, do arrependimento, das ilusões perdidas —, eu estaria na quarta-feira fazendo protesto contra o “corte de verbas” e a reforma da previdência. Estaria lado a lado com aqueles que querem ver o presidiário livre.
Por isso, eu peço, com todo meu coração, aos estudantes e professores brasileiros que ainda acreditam na verdade, na bondade e na beleza: ouçam a voz da experiência e deixem de marchar lado a lado com os psicopatas! Tentem imaginar, por um momento, o mal que vocês estão fazendo a vocês mesmos, aos seus filhos, aos seus netos. Saibam que, ao sair na rua de braços dados com essas organizações criminosas, vocês estão condenando o país à destruição completa.
Ou vocês acreditam em mim, ou acreditarão na dor.
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