Em seu livro “O Problema do Sofrimento”, C. S. Lewis fala sobre as três principais espécies de mal: a injustiça, o erro e a dor. A mais temível característica da injustiça e do erro é que ambos podem ser ignorados mesmo por quem está dentro deles. Quer dizer, você pode passar a vida inteira cometendo um erro ou sendo injusto sem perceber o que faz. Nesse sentido, a injustiça e o erro são semelhantes à burrice: quanto mais você tem, menos você sabe que tem.

Imagem ilustrativa da imagem Confissões de um ex-idiota útil
| Foto: Shutterstock

Com a dor não é assim: você sempre sabe que ela está ali. É o sinal de que algo não vai bem. Já ouviu falar na síndrome de Riley-Day, também chamada de analgesia congênita? Trata-se de uma doença em que a pessoa nasce incapaz de sentir dor. Em geral, as pessoas com síndrome de Riley-Day não vivem mais de 30 anos. Morrem feridos, sem saber que estão feridos.

Por esse motivo, C. S. Lewis vê na dor uma graça de Deus. O próprio Cristo teve de passar pela maior dor concebível. E nós também não escaparemos dela. Por ter consciência disso, repito diariamente a mesma prece, inspirada em Dostoiévski: “Senhor, tornai-me digno dos meus sofrimentos!”

Durante muitos anos, eu fui um idiota útil. Vivia no erro, pelo erro e para o erro. Não acreditava em Deus e pensava que o único sentido da vida era a obtenção de prazer e poder. Dizia-me um “revolucionário” (ou seja, um homem em rebelião contra a verdade). Feri, menti, traí, até matei.

E como eu deixei de ser um idiota útil? Graças à misericórdia de Deus, que me enviou Sua mensageira, a dor. Todo mundo conhece o ditado popular: “Quem não aprende no amor, vai aprender na dor”. Pois é, está corretíssimo.

Até os trinta anos de idade, fui militante de esquerda. Minha vida era um pêndulo entre o erro e a injustiça, sustentado pela mentira. Não fosse a dor — a dor da decepção, da angústia, do arrependimento, das ilusões perdidas —, eu estaria na quarta-feira fazendo protesto contra o “corte de verbas” e a reforma da previdência. Estaria lado a lado com aqueles que querem ver o presidiário livre.

Por isso, eu peço, com todo meu coração, aos estudantes e professores brasileiros que ainda acreditam na verdade, na bondade e na beleza: ouçam a voz da experiência e deixem de marchar lado a lado com os psicopatas! Tentem imaginar, por um momento, o mal que vocês estão fazendo a vocês mesmos, aos seus filhos, aos seus netos. Saibam que, ao sair na rua de braços dados com essas organizações criminosas, vocês estão condenando o país à destruição completa.

Ou vocês acreditam em mim, ou acreditarão na dor.

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