Santos, SP, 29 (AE) - Os familiares de Fábio Antônio de Castro - que confessou ter degolado com golpes de machadinha um menor durante rebelião na unidade Imigrantes da Fundação Estadual para o Bem-Estar do menor (Febem) - estão chocados com o acontecimento. O pedreiro Elias Marques de Albuquerque, pai do infrator, disse hoje que estava muito mal, com o corpo trêmulo, desde que soube da notícia. "Para mim foi uma surpresa. Fiz uma visita ao meu filho na Febem há três domingos e deixei para ir só este agora por causa da rebelião; nem sei se vou encontrá-lo no mesmo local".
Segundo o pedreiro, Fábio era um menino tranquilo, que fazia tudo o que lhe era solicitado: limpava a casa, fazia o arroz, lavava a louça, "mas depois que se meteu com a malandragem, há pouco mais de um ano, e se envolveu com drogas, ficou agressivo", comentou. Fábio não contou com o carinho da mãe, Eva Maria de Castro, durante a infância. "Ela foi embora quando ele tinha dois anos e o irmão três e morreu quando Fábio estava com dez anos", contou. Mesmo assim, lembrou, o rapaz estudava, era bom aluno. "Ele sempre dizia que queria trabalhar
arrumar um emprego para me ajudar".
Albuquerque revela que o filho ficou revoltado quando perdeu a mão esquerda, aos 11 anos. "Ele participava de um jogo de várzea e foi soltar fogos quando a bomba estorou do lado contrário". O garoto foi levado às pressas para a Santa Casa "e cortaram pela junta o resto que sobrou da mão". Depois que voltou para casa, demorou mais de um mês para se restabelecer. "Eu cuidava dele, dava banho, levava para os curativos".
Motivo - Albuquerque não consegue entender o por quê de o filho ter matado o menor. "Na nossa família nunca teve um assassino"
disse. Também Clarice Bonfim, primeira mulher de Albuquerque, garante que até os 15 anos Fábio era um menino normal, que frequentava a escola e só começou a ter comportamento diferente depois que passou a se envolver com a maladrangem do Morro do São Bento, onde reside. "A gente fica triste porque na nossa família nunca ninguém matou ninguém". Violência - O delegado Júlio Arakaki, da Delegacia Especial da Criança e do Adolescente, afirmou hoje que Fábio Antônio Castro não era dos menores mais perigosos que passaram por aquela delegacia. "Ele foi condenado por assalto contra pedestres, durante Festa Junina no Morro da Nova Cintra". Autuado em flagrante, junto com um comparsa, foi enviado para a Febem de onde fugiu em setembro, tendo sido recapturado no dia 23, em Santos, e reconduzido à instituição no dia 29.
"Ele nunca havia praticado um homicídio e tinha passagens pela delegacia por este assalto e por porte ilegal de arma", comentou Arakaki. Visita - Elias Marques Albuquerque, é um pedreiro, natural de Paratinga, cidade da região do Rio São Francisco, na Bahia. Ele veio para Santos em 1949, onde casou, teve filhos e agora, apesar de estar mal de saúde, trabalha como pedreiro em uma casa no morro do Jabaquara. O tempo todo, apesar de trêmulo, ele só tinha um pensamento: saber onde o filho estava para poder visitá-lo neste domingo.
Ele não conhece bem São Paulo e, por isso, vai pegar o ônibus bem cedo para não haver erro. Pretende seguir direto para a 2ª Seccional Sul da Polícia Civil, onde acredita que o filho está. "Gosto muito dele", enfatizou.

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