'Confissão foi uma brincadeira'
Agência Folha
O cinegrafista Maury Marques Malva, 27, que gravou as imagens do estudante Frederico Carlos Jana Neto, o Ceará, afirmando ser o assassino do calouro da Faculdade de Medicina da USP, disse ontem à polícia que o aluno, preso desde segunda-feira, fez a declaração em tom de brincadeira. Estava filmando a festa quando alguém da mesa do rapaz (Ceará) me chamou e disse, brincando, que me daria um furo de reportagem. Aí começaram a falar que ele (Ceará) era o responsável pela morte do calouro. Depois o Ceará, em tom de brincadeira, fez aquelas declarações, afirmou Malva.
Na gravação, feita no dia 20 de abril deste ano, na cervejaria Santa Cerva, no Tatuapé (zona leste de São Paulo), Ceará aparece dizendo eu sou o assassino do calouro da USP. O estudante Edison Hsueh foi encontrado morto no dia 23 de fevereiro, na manhã seguinte ao churrasco de recepção dos calouros, na Associação Atlética Oswaldo Cruz, o clube dos alunos da Faculdade de Medicina.
Não dei importância para aquilo e segui filmando a festa. Parece óbvio que se tratava de uma brincadeira. Todos estavam rindo, disse o cinegrafista. Ele entregou a fita original ontem ao delegado Marcelo Damas, responsável pela apuração da morte do calouro e disse não saber como uma emissora de TV teve acesso a uma cópia dessa fita e a repassou à polícia. Ceará voltou a receber a visita de professores da Faculdade de Medicina ontem.
Até o final do dia, quatro professores haviam visitado o estudante, preso no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), no centro. Após a visita, a professora Maria Aparecida Yassuda contou que ele disse ter se arrependido das declarações que fez e chegou a pedir desculpas à família de Edison.





