Goiânia - A Secretaria de Sa© úde de Goiás confirmou ontem que as mortes do agricultor espanhol Salvador Perez de la Cal, 41 anos, ocorrida no dia 12, e da aposentada Maria Geraldina Siqueira, 63, moradora em Mogi das Cruzes (SP), ocorrida no dia 9, foram causadas por febre amarela. A informação foi baseada em resultados dos exames de sorologia, liberados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).
Agora são três, em Goiás, os mortos pela febre amarela nos últimos 13 dias. O primeiro a ser confirmado, segunda-feira, foi do comerciário Cássio Silva Dornelles, 24, que morava em Goianésia e morreu no dia 2. ''Com certeza, ele foi contaminado com o vírus da febre amarela na cidade'', disse o médico Teófilo Lopes, que atendeu o rapaz nos primeiros sintomas: dores de cabeça e febre.
''Nós estamos em situação tranquila e de controle da febre amarela'', disse à reportagem a enfermeira Maria Lúcia Carnelosso, secretária interina da Sa© úde de Goiás. ''Estes casos de febre amarela revelaram que as pessoas não eram vacinadas'', afirmou. ''As mortes são lamentáveis, mas as nossas recomendações não mudaram, pois vamos manter os planos nas áreas urbana e rural'', disse ela.
O plano se resume em intensificar a vacinação dos não-imunizados nos últimos 10 anos e incentivar a eliminação de lixo nas ruas das cidades. Na zona rural, manter a busca e captura de fragmentos de macacos para determinar se há circulação do vírus. Foram encontrados em 52 dos 246 municípios goianos macacos mortos pela febre.
As evidências de que o agricultor espanhol morreu de febre amarela surgiu após ele ter sido internado no Hospital de Doenças Tropicais (HDT). ''Os sintomas dele foram idênticos ao de outro paciente que foi a óbito, o João Batista Gonçalves'', disse o médico Wilson Moraes Arantes, diretor-clínico do HDT.
Por razões variadas, Salvador Perez de la Cal comprou dois imóveis - uma casa em Goiânia e uma gleba de terra em Cristianópolis. Ambos estavam povoados por macacos e mosquitos vetores haemagogus, na mata, e aedes aegypt, na cidade. ''Durante cinco dias, ele sofreu dores, febres e a falta de diagnósticos em dois hospitais'', revelou a viúva da vítima, Marny Selma de Mendonça.
Fora estes casos, a Secretaria de Saúde de Goiás confirmou ontem mais quatro casos de pessoas que podem ter contraído a febre amarela nas últimas 40 horas: duas pessoas em Luziânia, a 40 quilômetros de Brasília, e uma em Abadiânia, a 70 quilômetros. A quarta vítima estava em Aruanã, Goiás, porta de entrada para o rio Araguaia.
Além das três mortes anunciadas e dos quatro novos casos de ontem, há outros nove nomes sob investigação e suspeita de ter contraído a doença. Um deles, do peão João Batista Gonçalves, depende do exame das vísceras. ''Não descartamos a morte por febre amarela'', disse o médico Wilson Novaes. ''A sorologia foi negativa, porém a coleta de material foi feita antes do período de seis dias de incubação da doença.'' (Rubens Santos/Agência Estado)

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