Confirmada ação de peruanos no Acre
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quarta-feira, 03 de janeiro de 2001
Agência Estado De Rio Branco 
Madeireiros peruanos abriram oito grandes clareiras para retirar mogno e cedro da reserva indígena ashaninca Campa, no Rio Amônea, na região oeste do município de Marechal Thaumaturgo, a 700 quilômetros de Rio Branco, na fronteira com o Peru. Os invasores usaram motosserras e tratores do tipo Skid para abrir carreadores (estradas) e levar a madeira até o Rio Ucaiali, grande corredor do tráfego de drogas naquela região.
Os peruanos montaram acampamento a cerca de 10 quilômetros da divisa, no rio Amoninha, afluente do Amônea, que banha a reserva. Na operação realizada no final da semana com helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) para apurar as denúncias da invasão do território brasileiro pelos peruanos, não foi possível dimensionar as derrubadas. Nova expedição, desta vez pela via terrestre, está sendo organizada pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Pelotão Florestal, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Polícia Federal. Um grupo de 12 homens partem no começo da próxima semana para o local.
As informações constam do relatório preparado pelo diretor de Assuntos Ambientais do Imac, Jairon Nascimento, que participou da operação. Na operação terrestre, os agentes usarão aparelhos ligados à satélites para medir o tamanho das clareiras e a localização de cada árvore extraída. A partir desse levantamento, os índios poderão até exigir indenização do governo peruano, disse Nascimento, para quem o roubo de madeiras acoberta o tráfico de drogas na região.
O grupo irá até a cidade de Thaumaturgo em avião cedido pelo governo estadual. Na expedição anterior a FAB levou o grupo até o local, mas não participará mais da operação. Entretanto, as Forças Armadas acompanham detalhadamente a situação. Homens do 61º Batalhão de Infantaria de Selva, unidade militar em Cruzeiro do Sul, estão de prontidão.
Marechal Taumaturgo é um pequeno município encravado entre três áreas indígenas (Nukini, Ashaninca e Kaxinawa), uma reserva extrativista (Resex Vale do Juruá) e uma reserva biológica (Parque Nacional da Serra do Divisor). Com área de 7,7 mil quilômetros quadrados, Thaumaturgo está entre os três municípios acreanos cuja população diminui ao invés de crescer. Segundo o IBGE, em 1995 eram 8.381 moradores. Em 2000 são 8.292, um decréscimo de 0,27% em cinco anos. No Estado, a população aumenta 3,6% ao ano.
Além do crescente êxodo, a região de Thaumaturgo registra os mais baixos indicadores sociais do Estado. O município tem um rádio amador como meio de comunicação, uma só creche, nenhuma escola particular e a renda per capita das famílias é de apenas 0,42 salário mínimo em média ao mês. O prefeito Itamar de Sá (PMDB) participou das buscas aos madeireiros peruanos antes de tomar posse. Ele diz que usará os indicadores para captar recursos para seu município.


