O secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, afirmou ontem em Londrina que muitos casos de dengue devem ser confirmados nos próximos dias. O surto da doença, segundo Raggio, é pior no Norte do Paraná. O levantamento divulgado ontem, durante entrevista coletiva do secretário em Londrina, e que abrange até a 15ª semana epidemiológica (16 de abril), mostra que somente na área de abrangência da 17ª Regional de Saúde (RS) foram confirmados 57 casos de dengue. Em todo o Paraná são 543 registros da doença.
Na região da 17ª RS, cinco cidades têm casos confirmados de dengue: Cambé, Guaraci, Londrina, Rolândia e Tamarana.
O secretário estadual explicou que, nos últimos anos, a dengue tem se comportado de maneira focalizada em algumas cidades e isso ajuda no combate à doença. ‘‘Se fosse homogêneo seria ameaçador, porque teríamos uma reação de confirmação (de novos casos) em cadeia’’, completou Raggio.
Como o índice de infestação do mosquito Aedes aegipty, transmissor da doença, é alto no Estado, Raggio garantiu que serão tomadas medidas de combate, entre elas o acréscimo de agentes comunitários, varreduras em terrenos abandonados, criação de uma ‘‘sistemática’’ para detectar a presença do mosquito num mesmo dia e em todos os municípios do Paraná. Ele admitiu que a secretaria tem trabalhado com dados defasados.
O secretário pediu ainda que os paranaenses continuem colaborando com as medidas de combate ao mosquito. Ele não soube precisar o índice de infestação do Aedes no Estado, mas afirmou que varia de 0% a pouco mais de 8% em Londrina. Índice acima de 1% de infestação do mosquito já é considerado como situação de risco.
Raggio admitiu o risco da ocorrência de febre amarela urbana e silvestre no Estado. ‘‘Apesar de reduzido, é um risco em potencial’’, considerou. Por isso, ele pregou a continuidade da campanha de vacinação em todo o Estado, para que se atinja um percentual acima de 90% de cobertura vacinal. Hoje, esse índice está em cerca de 70%. Ainda faltam 1,5 milhão de paranaenses.
Sobre a classificação do Ministério da Saúde, que definiu o Norte do Estado como área de risco para o tipo silvestre doença, Raggio comentou que ‘‘o Ministério está escaldado de experiências como, por exemplo, quando considerava que a região da Serra da Canastra (MG) não tinha febre amarela e de repente surgiu a doença. Eles estão com excesso de zelo’’, afirmou.

mockup