Conferentes negam participação em quadrilhas
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Cida Oliveira (especial para a AE) 
Santos, SP, 06 (AE) - O presidente do Sindicato dos Conferentes da Baixada Santista, João Carlos de Souza Campos, disse hoje desconhecer qualquer tipo de envolvimento da categoria com o narcotráfico ou com as quadrilhas especializadas em roubo de cargas no Porto de Santos. "No geral, as pessoas pensam que são conferentes todos aqueles que usam pranchetas e canetas para anotações no cais, o que não corresponde à realidade, porque existem os caixeiros, que trabalham nos terminais retroportuários", disse.
Reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" revelou que conferentes fariam parte do esquema das quadrilhas. De acordo com a reportagem, ao constatar que o lacre do conteiner foi retirado o conforente determina que o caminhoneiro se dirija a um posto para pesar a carga. Cabe a ele informar a hora em que o caminhão deixou o local em direção à balança. O esquema consistia em alterar esses dados. Por exemplo, se o caminhão está deixando o porto às 12 horas para a pesagem, ele marca que saída ocorreu às 15 horas. Nesse intervalo o caminhão é levado para um galpão e grande parte da carga é roubada.
Revoltado com a denúncia, Campos afirma que o sindicato tem 67 anos de atividades e nunca foi mencionado em situações semelhantes. "Se tudo isso é verdade é preciso dar o nome do conferente para que possamos apurar o fato". O presidente do sindicato assegura que a categoria não tem essa função de anotar horários. "O conferente anota apenas o número do conteiner quando sobe e quando desce. Colocar o horário em que a carga foi para o caminhão, isso nós não fazemos", enfatizou.
No caso do terminal de contêineres, administrado pela Santos/Brasil, Campos assegura que o esquema é todo informatizado. "Não podemos nos conformar que uma categoria com 67 anos tenha a imagem denegrida e só aceitamos as acusações se houver documentos que comprovem", disse.


