O diretor-executivo da organização não-governamental Conselho da Terra, o filipino Maximo Kalaw, disse por telefone, da Costa Rica, que o objetivo central da conferência ecológica Rio+5, que começa amanhã, é fazer um balanço de como 80 países estão implementando, na prática, as ações propostas na Agenda 21, um dos principais documentos aprovados na Eco-92.
A Rio+5 se estende até a quarta-feira da próxima semana e vem sofrendo críticas de cientistas e outras ONGs, que acusam o evento de estar vinculado a interesses de governos e de grandes corporações. Independentemente das críticas, Kalaw, principal executivo do encontro, acredita que será feito um balanço negativo das ações governamentais no campo da preservação ambiental. ‘‘O desenvolvimento sustentado nas nações ainda não é prioritário’’, diz.
Segundo Kalaw, não foram planejados painéis específicos sobre as convenções de clima e de biodiversidade porque a idéia da Rio+5 é a de que governos e setores da sociedade discutam como implementar ações ambientais.
Um documento com recomendações finais da conferência será encaminhado à reunião da ONU de junho, que fará um balanço das questões ambientais nos cinco anos após a Eco-92.
Mas Kalaw discorda dos que acham que o dinheiro levantado para a Rio+5 (US$ 3 milhões) deveria ser empregado para levar ONGs a Nova York, para que façam lobby junto à ONU.
‘‘É preciso se entender que as decisões são tomadas pelos governos nacionais, e não pelos seus delegados na ONU.’’ Para ele, um lobby mais eficaz poderá ser feito junto aos representantes de 80 governos que irão à conferência.
Kalaw afirma que o encontro não foi idealizado para ser uma reunião aberta, pois isso não seria produtivo. Mesmo assim, ele garante que oito mil pessoas teriam sido ouvidas em vários países, para se chegar aos convidados.
Kalaw discorda das ONGs que queriam uma reunião só de entidades da sociedade civil. Segundo ele, para trocar experiências, é preciso reunir diferentes segmentos que possam contribuir para o desenvolvimento sustentado.
Amazônia - Para 69% dos moradores da região Norte, o desmatamento da Amazônia tem efeitos sobre o planeta e, por isso, é uma questão que deve ser decidida em cooperação com outros países e autoridades internacionais.
A mesma pesquisa ambiental, realizada em todas as regiões do País, em que foram ouvidas duas mil pessoas, mostra que no geral 58% pensam que esse assunto não pode ser decidido apenas pelos brasileiros. Esses dados da pesquisa ‘‘O que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente, do Desenvolvimento e da Sustentabilidade’’ - realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, o Museu de Astronomia e o Instituto de Estudos da Religião (Iser) - se chocam com o pensamento de setores nacionalistas, como os militares.
Os resultados da pesquisa foram comentados ontem pela socióloga do Iser Samyra Crespo, que participou de debate no segundo dia do workshop ‘‘Agenda 21, Brasil - A Utopia Concreta’’, promovido pelo ministério na sede do BNDES, no centro do Rio.
Para Samyra, ‘‘é muito significativo’’ o resultado da pesquisa feita junto a 400 moradores da região Norte (inclui a Amazônia), pois revela que não só pessoas de outras áreas do País defendem essa cooperação internacional.

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