O movimento negro fará hoje - data da abertura da Conferência Nacional contra o Racismo e a Intolerância - um ato-surpresa em protesto contra a discriminação racial no trabalho. A idéia é ocupar um local de grande circulação -ainda mantido em sigilo, para evitar a repressão policial- e protestar contra o baixo percentual de negros contratados para funções que exijam contato com o público.
Anteontem, em audiência da comissão organizadora da conferência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o movimento negro solicitou a reserva de 30% das vagas para negros nas universidades públicas.
‘‘O presidente reconheceu que o Estado tem dificuldade de lidar com a questão das políticas afirmativas, mas prometeu tomar medidas a respeito’’, afirmou Ivanir dos Santos, diretor do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap).
O movimento negro, mais organizado, deverá dominar os debates da conferência do Rio, e busca o apoio de outros grupos para suas reivindicações. Os judeus, por exemplo, vão apoiar a cobrança de uma política de ação afirmativa.
‘‘Defendemos a implantação de políticas de inclusão. Mas queremos ver medidas pragmáticas’’, afirmou José Fernando Mandel, diretor da Conib (Confederação Israelita do Brasil).
Mandel disse que a comunidade judaica brasileira tem ainda uma reivindicação específica sobre o controle dos crimes de racismo na Internet.
Já os grupos homossexuais vão pedir medidas de combate à violência sofrida por eles, principalmente da parte de policiais.

mockup