NAIRàBI, Quênia, 10 (AE-AP) - Quatro países do sul da áfrica que mantêm altos estoques de marfim protestaram hoje (10) contra a proibição do comércio do produto, considerando que as manadas de elefantes em seus territórios estão "saudáveis, em crescimento e podem ser economicamente exploradas".
Coube ao chefe da delegação do Zimbábue, Simon Khaya Moyo, expor a posição que seu país mantém em comum com a áfrica do Sul
Botsuana e Namíbia durante a abertura da conferência sobre espécies ameaçadas promovida pela ONU no Quênia.
Para Moyo, a conservação implica na adoção de uma política adequada a uma "utilização sustentável de nossa abundante vida selvagem". Moyo ressaltou ainda que essa vida selvagem só será preservada em larga escala se for em benefício dos homens e, por isso mesmo, "é indispensável conciliar a natureza com as necessidades humanas legítimas, de modo a servir a ambas."
Quênia e Índia, por sua vez, querem que os elefantes sejam reenquadrados no Apêndice 1 da Convenção de Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas (CITES), o que proíbe totalmente o comércio do marfim. O presidente queniano Daniel Arap Moi disse que seu país se oporá à proposta dos sul-africanos enquanto não houver um sistema eficiente para monitorar a margem adequada de redução das espécies.
Especialistas do Quênia calculam que as manadas de elefantes africanos foram reduzidas de 1,3 milhão em 1979, quando a caça ao mamífero foi proibida no Quênia, para cerca de 650 mil hoje, em função da redução das proibições decretada pela CITES em 1989. Segundo a áfrica do Sul, porém, "não houve redução sistemática da proibição à caça, apenas ela foi suspensa uma única vez, em 1997".
O chefe da delegação de Botsuana acrescentou que 160 mil elefantes ocupam, em seu país, uma área adequada para apenas 50 mil, e que a manada local vem crescendo à razão de 5% ao ano. "Eles estão se tornando um perigo até para eles mesmos, pois não há vegetação suficiente para todos", observou o representante betchuano.
O secretário-geral da CITES, Willem Wijnsteker, observou que a preocupação do encontro não é apenas com os elefantes, estando em pauta o risco que atinge 30 mil espécies de plantas e 8 mil de animais.
À entrada da sede do encontro, a ONG Greenpeace colocou uma balão em forma de baleia de tamanho natural para protestar contra a permissão à pesca de baleias cinzentas e tipo minke, e acusou o Japão de tentar impedir que o assunto venha a ser debatido na conferência.

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