Conferência sobre água começa com protestos Agência Estado De Bruxelas A Conferência Mundial da Água começou ontem em Haia, na Holanda, em meio a atos improvisados de nudismo de militantes ecologistas que protestavam contra a criação de diques na Espanha e a privatização da água. Um homem e uma mulher despiram-se e revelaram à platéia o nome do controvertido dique pintado nas costas e nas nádegas. O protesto impediu que o herdeiro do trono da Holanda, o príncipe Guilherme Alexandre, pronunciasse seu discurso, mas ele reagiu calmamente, dizendo que ‘‘todos devem poder expressar suas idéias sobre a água sempre que o fizerem de modo civilizado’’. Aos ativistas que escalaram as paredes e penduravam-se no teto, o príncipe pediu: ‘‘Por favor, desçam e vamos conversar como adultos o fazem neste mundo’’. Mais de 3.500 mil delegados de 150 países eram esperados para a conferência, que termina em 22 de março. Cerca de 20 mil internautas também deram sua contribuição ao encontro, respondendo ao chamado dos organizadores - o governo holandês, a ONU e o Banco Mundial - para oferecer propostas através da Internet. As respostas estão incluídas em três grossos volumes que serão examinados pelo Fórum, onde serão estudados também os três documentos básicos preparados para a ocasião. O primeiro é um quadro da situação atual e foi realizado pelo Conselho Mundial da água, órgão da ONU, com sede em Paris. O segundo é da Sociedade Global da Água, que propõe operações para inverter a tendência antes do ano 2025. O terceiro está assinado pela Comissão da Água para o século XXI e faz uma síntese dos estudos anteriores, e das respostas que chegaram via Internet. A rainha Noor da Jordânia, viúva do rei Hussein é quem vai apresentar um dos informes para uma distribuição mais equitativa de água no mundo. Mas outras mulheres comuns, vindas da África e do Oriente Médio, contarão suas dificuldades cotidianas, obrigadas a racionar água para enfrentar as necessidades familiares. Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e dois bilhões de pessoas não têm sistema de fossa. O Fórum dificilmente conseguirá resolver estes problemas que, segundo o Fundo Mundial da natureza, estão intimamante vinculados ao modo em que se consiga resolver questões ambientais bloqueando o empobrecimento dos recursos hídricos.