Conferência promove debate sobre o Sim ou Não
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segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - A 5 Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul - promovida pela Associação Internacional de Chefes de Polícia - IACP (leia mais abaixo) - começou ontem com um dos temas mais palpitantes do momento: o referendo para a proibição ou não do comércio de armas no Brasil. O líder da frente parlamentar do 'Não', deputado federal João Alberto Fraga Silva (PFL-DF), e o deputado federal Roberto Freire (PPS-PE), favorável à proibição, foram os debatedores, que teve como mediador o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.
Fraga defendeu sua posição apresentando várias estatísticas que, segundo ele, comprovariam que a criminalidade não está, diretamente, relacionada à comercialização legal de armas. Para o deputado, os resultados do desarmamento já se mostraram desastrosos à medida que não teriam conseguido diminuir a criminalidade, especialmente, nas capitais e grandes cidades. Criticou os gastos do governo federal com o referendo - R$ 564 milhões, segundo ele - e defendeu o direito de legítima defesa do cidadão. ''Um governo que tem a perspectiva de gastar R$ 0,07 por cidadão em segurança pública não tem porque tirar do cidadão o direito de se defender'', alfinetou.
Roberto Freire argumentou que a segurança deve ser encarada como um bem coletivo público e, nesse contexto, a proibição do comércio de armas deve ser visto como um ''avanço civilizatório''. ''O dado fundamental é discutir que sociedade queremos. Eu pretendo viver em uma sociedade mais justa e não um retrocesso à barbárie'', defendeu. O deputado lembrou que chegou a propor uma medida mais radical, na década de 90, que era a estatização da venda de armas, delegando às Forças Armadas e às instituições policiais o poder de controlar a comercialização no País. Ironizando o principal argumento da frente do Não - o direito à legítima defesa -, Freire questionou se a continuidade do comércio de armas teria, então, o suporte de financiamentos e políticas públicas para armar o cidadão.


