Paris - Representantes de 185 países do mundo se reuniram ontem em Nova Délhi para iniciar novas negociações sobre a mudança climática, e debaterão pela primeira vez os meios de reforçar a luta contra esse fenômeno.
Ao inaugurar a conferência, o ministro indiano do Meio Ambiente, T.R. Baalu, fez um ''apelo urgente'' para a entrada em vigor do protocolo de Kyoto, enfatizando que os países industrializados têm de desempenhar hoje e no futuro um papel principal na luta contra a mudança climática.
O pedido de Baalu visa em particular a Rússia, cuja ratificação condiciona a entrada em vigor do protocolo de Kyoto desde que os Estados Unidos rejeitaram esse acordo.
Oficialmente, a conferência de Nova Délhi está consagrada ao acompanhamento da Convenção sobre o Clima de 1992 e às últimas modalidades técnicas de Kyoto. Os participantes examinarão o mais recente informe do Grupo Intergovernamental sobre a Evolução do Clima (IPCC), que reúne 3.000 cientistas por iniciativa da ONU.
O documento confirma que as atividades humanas estão aquecendo o clima ao emitir gases de Efeito Estufa, como o CO2, e recorda que a Convenção fixou como objetivo estabilizar as concentrações desse gás na atmosfera a um nível não perigoso para o clima.
Hoje, as emissões por habitante dos países do Sul são seis vezes menores do que as dos países do Norte. Mas, globalmente, suas emissões aumentam 3,5% por ano, enquanto que o aumento dos do Norte é de 1%, e alcançarão estes últimos em 2020, indica o IPCC.
Para o Norte, essas projeções indicam que os países em vias de desenvolvimento devem ser implicados progressivamente no controle dos gases de Efeito Estufa. Para o Sul, significam que os países industriais devem reduzir muito mais suas emissões, que representam ainda, segundo a Agência Internacional de Energia, 61% das emissões mundiais de CO2 em 2000 (68% em 1990), e ajudar mais os países pobres a fazer frente às catástrofes pelas quais são responsáveis.
Essa divergência, subjacente em todas as negociações sobre o clima, adquirirá amplitude pela primeira vez com a entrada em vigor do protocolo de Kyoto, em 2003. O protocolo impõe aos países industriais uma diminuição de 5,2% (em relação a 1990) de suas emissões de gases de Efeito Estufa em 2008-12.

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