Recife, 15 (AE) - O secretário executivo da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, Hama Arba Diallo, disse hoje que a desertificação se expande rapidamente em todo o mundo e custa muito caro nada fazer para combatê-la e prevení-la. "Ou o mundo continua a assistir as catástrofes ou se decide a mudar", afirmou pouco antes da abertura da III Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), que se realiza no Centro de Convenções
em Olinda, até o dia 26.
O COP-3 reúne mais de 2 mil participantes dos 159 países signatários da convenção e foi aberto pelo Vice-presidente da República, Marco Maciel, e pelo presidente da ONU, Theo Ben Gurirab, que informou a adesão de mais dez países à convenção internacional, entre eles: Filipinas, Tailândia, Papua-Nova Guiné Austrália, Albânia, República Checa, Suriname e Trinidad Tobago.
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, disse que o seu ministério funcionará durante toda a próxima semana no Recife, para um maior aproveitamento da troca de experiências que o COP-3 irá proprocionar e na busca por recursos internacionais para o combate à desertificação.
A desertificação já afeta 30% do território mundial, atinge anualmente novos 10 milhões de hectares em todo o planeta e representa um custo anual de US$ 42 bilhões. Este montante é maior do que o que a ONU estima ser necessário para combater o fenômeno - US$ 10 bilhões a US$ 22 bilhões por ano durante 20 anos. Os impactos causados pela desertificação abrangem todas as áreas - financeira, econômica e social -, com a redução da produção de alimentos, aumento da pobreza e de migrações das populações afetadas. O Brasil tem 180 mil quilômetros quadrados de área em processo grave e muito grave de desertificação concentrados principalmente no Nordeste. Estima-se que somente essa região perde anualmente 400 milhões de toneladas de solo. No mundo, essa perda é de 24 bilhões de toneladas por ano.
De acordo com Sarney Filho, estudos técnicos apontam a desertificação no Brasil como a responsável por uma perda anual de US$ 800 milhões sendo necessários US$ 2 bilhões por ano, durante 20 anos, para o seu combate e prevenção.
Diallo disse que a ONU não tem como financiar ações para o combate à desertificação, mas observou que a conscientização dos gastos que a desertificação representa pode dar grande impulso aos países e instituições financeiras na orientação de seus investimentos.
A desertificação é a degradação da terra nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas e é causada por vários fatores, como clima e uso inadequado pelo homem.
A Convenção das Nações Unidas para o Combate da Desertificação foi criada em 1994 e entrou em vigor em 1996. Seu objetivo é o combate e a prevenção do fenômeno através da elaboração e implementação, pelos países afetados, do Plano Nacional de Desertificação utilizando a tecnologia e contando com a participação das comunidades.
O COP-3 tem como centro das atenções a áfrica onde a desertificação é mais grave estando presente em 73% das terras agrícolas áridas do continente. O encontro vai avaliar as ações implementadas pelos 41 países africanos atingidos pelo problema. No próximo ano, na ásia, o COP-4 irá fazer o mesmo com a América Latina, que tem quase 75% das suas terras áridas afetadas pela desertificação. Também serão objeto de avaliação, nas versões seguintes da convenção, a ásia -71% das zonas áridas atingidas - e Norte do Mediterrâneo que tem quase 75% das terras áridas.

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