Confen determina abertura de processo contra auxiliar
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 11 (AE) - O Conselho Federal de Enfermagem (Confen) deu prazo de 30 dias para o Conselho Regional mover um processo ético contra o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães e cassar seu registro por causa das mortes no Hospital Salgado Filho. "Quem cassa o registro é o órgão federal, mas quem faz a sindicância é o Conselho Regional", explicou o presidente em exercício do Confen, Nelson da Silva Parreira.
Guimarães foi punido duas vezes pela direção do Salgado Filho. Numa delas, há dois anos, por ter envolvido numa briga particular com outro funcionário, e na outra, por ter saído do serviço antes do horário.
O auxiliar de enfermagem trabalhou também no Pró-Cardíaco, de janeiro a julho de 1988, mas segundo o diretor do hospital, Francisco Eduardo Ferreira, "fazia apenas serviços externos, acompanhando os médicos nas ambulâncias, sem nunca ter aplicado medicação nos doentes internados", disse Ferreira. "Seria impossível ele ter aqui as práticas que teve no Salgado Filho".
De acordo com o Confen, pela lei, uma auxiliar de enfermagem só pode realizar práticas rotineiras (trocas de soro, aplicação de injeções etc), mas sempre com a supervisão de um enfermeiro com curso superior.
Guimarães foi demitido do hospital, sem justa causa, pouco depois de completar o período de experiência, mas o diretor não se lembra do motivo. "Geralmente os auxiliares ficam pouco mais de seis meses, por não se adaptarem ao serviço, ou permanecem mais de dez anos", explicou ele.
Parentes - Parentes das supostas vítimas de Guimarães que estiveram hoje no Hospital Salgado Filho denunciaram casos de mortes suspeitas antes do dia 10 de janeiro de 1999, quando o auxiliar de enfermagem foi trabalhar na Unidade de Pacientes Traumáticos (UPT). Maria Irene de Sousa Silva, de 53 anos, contou que sua mãe, Helena Moreira da Silva, de 70 anos, internada com dores no peito, morreu logo após ter recebido uma injeção de Guimarães, no dia 12 de abril do ano passado.
"Como ela começou a passar mal na mesma hora, eu peguei o frasco da mão dele para ver o que era", contou Maria Irene, lembrando o que auxiliar de enfermagem tentou impedí-la. "Depois eu fui na lixeira e vi: estava escrito potássio."


