Confecções e eletrônicos foram setores mais afetados
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Márcia de Chiara e Vera Dantas 
São Paulo, 29 (AE) - A cadeia da confecção, que abrange desde a fabricação da fibra até a produção industrial de roupas, e o varejo de eletroeletrônicos registraram um número significativo de falências e concordatas desde o começo do Plano Real.
Cerca de 2,5 mil empresas do setor de confecções fecharam as portas entre 1994 e 1999, segundo estatísticas da Associação Brasileira da Indústria Têxtil. (Abit). Pesquisa da Eletros, associação que reúne a indústria eletroeletrônica, revela que, de 1995 a janeiro deste ano, 120 lojas pediram concordata.
De acordo com o presidente da Abit, Paulo Skaf, nesse período, a receita caiu 20% e 500 mil postos de trabalho foram cortados. No setor eletroeletrônico, quem pagou a conta das lojas desativadas foi a indústria que acumula, desde 1994, um prejuízo de R$ 1,151 bilhão de créditos inadimplentes.
Já as grandes e médias redes de supermercados, passaram ao largo da crise nos cinco anos de estabilidade, com crescimento de cerca de 60% nas vendas. "Nosso setor esteve em franca evolução", diz o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf.
Daqui para frente, no entanto, Assaf acredita que os supermercados poderão ter dificuldades financeiras por conta da estagnação da economia e dos custos crescentes.
Entre julho de 1994 e maio de 1999, só na capital paulista, 6.682 empresas faliram e 639 empresas tiveram concordata decretada, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Os números somados são altos e mostram o custo da estabilidade econômica, na avaliação do economista Emílio Alfieri, da ACSP.
Ele lembra que, na época da disparada da inflação, o número de falências e concordatas era mais baixo porque as empresas compensavam a ineficiência nos preços. Isso não é possível hoje com a moeda estabilizada. Os juros altos, pondera, também influenciaram nesses resultados.
Segundo Alfieri, o pior do processo da estabilização já passou e a última crise, da ruptura cambial, não chegou a ter reflexos no número de falências e concordatas. "As empresas começaram a aprender a conviver com a estabilidade e a racionalizar custos." A tendência, diz, é de queda nos números na comparação ano a ano, na capital paulista.
O pico das falências em São Paulo, desde o início do real, foi entre julho de 1997 e junho de 1998 quando foram registrados 1.764 casos. Entre julho de 1998 e maio de 1999 foram 1.455 registros e, segundo Alfieri, esse número deve cair.
O período em que as concordatas decretadas mais cresceram foi entre julho de 1995 e junho de 1996, quando foram registrados 265 casos. Já entre julho de 1998 e maio de 1999 foram decretadas 105 concordatas na capital paulista.


