Conduta de guardas será investigada
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A abordagem inusitada de dois guardas municipais a um jovem de 20 anos no estacionamento da Câmara, na tarde da última segunda, resultou na abertura de um procedimento que vai apurar, no âmbito da Corregedoria Geral do Município, se a conduta de ambos foi adequada ou abusiva. O caso foi noticiado anteontem pela FOLHA, cuja equipe de reportagem presenciou a ação dos dois guardas contra Glauder Pereira de Souza, 20 anos, interno do Centro de Apoio Psicossocial (Caps) AD, na Região Sul. Souza teria sido confundido com um adolescente que, instantes antes, tentara fugir da Vara de Execuções Penais (VEP). Na ocasião, já com as mãos à cabeça, o rapaz, que negava ser o suspeito da fuga, recebeu, de um dos guardas, um golpe de cacetete e choque na nuca.
Ontem, o secretário municipal de Defesa Social, Benjamin Zanlorenci, afirmou que o procedimento instaurado será analisado pela Corregedoria já à luz do Estatuto da Guarda Municipal. Sobre o aparelho de choque utilizado, Zanlorenci resumiu: ''Não é da corporação'', conforme o que um dos guardas já dissera, à FOLHA, pouco após a abordagem. Questionado sobre autorização para porte e uso do equipamento, o secretário ironizou, de forma evasiva, a conduta do jornal no local. ''As pessoas me contaram como foi'', resumiu, encerrando o assunto.
O Núcleo de Comunicação voltou a afirmar que os guardas têm autorização para a arma de choque, mas frisou que ''não se trata de teaser. Aquilo que foi usado é mais um choquinho leve, vendido em qualquer lugar''. Os dois guardas municipais cumprem funções administrativas.
Um funcionário da Câmara que também presenciou a ação dos guardas disse ontem ter conversado com o jovem abordado e se mostrou disposto a levá-lo ao Ministério Público. ''Ele está com muito medo''. O promotor Paulo Tavares declarou que, antes de instaurar qualquer procedimento por lá, ''é preciso ouvir a vítima''. ''Mas sem dúvida que essa notícia nos chamou a atenção; qualquer excesso por parte da polícia ou da guarda tem que ser preocupante''.


