Conduta da Justiça será questionada
Londrina - Sobre a decisão da juíza Zilda Romero, da 6ª Vara Criminal de Londrina, o advogado de Kelly, Adriano Alves, afirma que tudo foi feito para que a tragédia fosse evitada. "Nos autos constavam todas essas situações (ameaças e tentativas de homicídios) e o constante descumprimento dele (o acusado). A vida dela estava em perigo. O pedido de prisão não foi deferido e o pior aconteceu", diz. De acordo com ele, o pedido de avaliação de conduta do Judiciário deve ser protocolado nos próximos dias na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A reportagem entrou em contato com a juíza, mas, como estava fora do Estado, disse que não teria condições de comentar o caso. Segundo a assessoria jurídica da Vara, legalmente, o pedido de prisão só poderia ser apreciado em um novo processo. A FOLHA foi informada ainda que este teria seria o primeiro caso de descumprimento de medida protetiva nessas circunstâncias.
A promotora Suzana Lacerda lamenta que seu pedido de prisão não tenha sido apreciado. "O pedido da preventiva não garantiria a prisão imediata ou impediria que ele cometesse o crime. Mas, no meu entendimento, não havia necessidade de outro processo. Kelly tem todos os motivos de estar revoltada, mas, infelizmente, a situação da violência doméstica é muito mais complicada do que se imagina. A demanda aumenta a cada dia e, daqui para frente, vai ser ainda mais difícil de dar celeridade aos casos", desabafa.
Para a socióloga Wânia Pasinato, pós-doutoranda do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu da Universidade de Campinas (Unicamp) e pesquisadora sênior do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), o arrependimento e revolta da vítima em casos como esse são totalmente compreensíveis. "Infelizmente, as instâncias ainda trabalham de forma desarticulada e, diante da inoperância do Estado, a responsabilidade de conseguir ajuda ainda recai sobre a mulher", resume. (M.T.)





