Conhecida e temida, a espécie de mosquitos Aedes aegypti ganha enorme espaço no noticiário todos os anos no verão. O inseto que é transmissor dos vírus da dengue, febre amarela, chikungunya e zika é alvo de campanhas educativas dos governos, mas, mesmo assim, faz muitas vítimas a cada temporada. Preocupados com a seriedade das doenças, moradores de um condomínio na zona sul se associaram a uma pesquisa do curso de Biologia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) para mapear a incidência dos bichos na região. Na última quinzena, os cientistas instalaram 29 armadilhas entre os 230 lotes distribuídos na área de 40 alqueires. As estruturas contam com iscas para as fêmeas, que colocam ovos em uma placa – a partir deles os pesquisadores conseguem determinar a existência de espécies contaminadas com vírus. “Tomamos o conhecimento desta iniciativa e vimos uma forma de nos defender deste problema que é sistemático. Não chegamos a ter problemas sérios, mas é uma preocupação dos moradores”, explicou o produtor rural Carlos Alberto Scolari, 57, que participa da administração do condomínio.

“Não chegamos a ter problemas sérios, mas é uma preocupação dos moradores”, explicou o produtor rural Carlos Alberto Scolari
“Não chegamos a ter problemas sérios, mas é uma preocupação dos moradores”, explicou o produtor rural Carlos Alberto Scolari | Foto: Gustavo Carneiro / Grupo Folha

O trabalho é um projeto de prestação de serviço à sociedade da UEL. Ele tem uma metodologia diferente do LIRAa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) adotado pelas autoridades públicas que fazem vigilância epidemiológica no País. Enquanto no método oficial são buscadas infestações em áreas determinadas, as armadilhas são capazes de permitir identificar a incidência dos mosquitos infectados numa região. Desta forma, mesmo que os focos não estejam visíveis, é possível saber que há vírus circulando naquela área. As armadilhas são instaladas a cada 150 metros e têm as localizações identificadas no mapa, o que permite uma análise dos locais em que o vírus está presente. O custo mensal de cada armadilha é de R$ 10. “O custo é para arcar com as despesas e para manter as bolsas dos alunos que trabalham. Atualmente estamos trabalhando em um projeto de uma outra armadilha para capturar indivíduos adultos. Mas há outras frentes de trabalho que auxiliam no combate à dengue”, detalhou o biólogo João Zequi, professor da UEL coordenador do projeto, que já está implantado em três condomínios residenciais da cidade.

A prevenção é a principal arma contra a dengue. Evitar que a água se acumule é a medida fundamental que todos devem cumprir em suas casas. O professor Zequi afirma que a presença do fumacê é sinal de que as coisas já não estão dando certo. “É a última medida quando já há um descontrole. Funciona como paliativo. Aí se resolve matar com o veneno. A verdade é que os mosquitos já estão resistentes a vários tipos de veneno, especialmente os vendidos em mercado. Para atacá-los teria que se utilizar uma dose maior, o que faz mal para vida humana”, detalhou. Além da instalação das armadilhas os pesquisadores da UEL promovem uma série de ações educativas na comunidade onde elas são implantadas. Este é o ponto fundamental, segundo a avaliação da diretora de Vigilância em Saúde de Londrina, Sônia Fernandes. “Este é um estudo da universidade e seu maior valor é acadêmico. Para as pessoas envolvidas da comunidade, o mais importante é que seja ampliado o conhecimento sobre a prevenção”, afirmou. O programa das armadilhas pode ser implantado em empresas e condomínios, o contato para informações é (43) 3371-4247.

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