Londrina - A comerciante Soraia de Oliveira estacionou seu Mercedes Benz e do banco traseiro retirou caixas de papelão. O material foi deixado na lixeira do Residencial Ilha Bela, no Jardim Oriente (Zona Leste de Londrina). ''Não tem ninguém que recolhe e isso desanima'', lamentou. No residencial em que moram 360 famílias não passa nenhum catador recolhendo o lixo reciclável e foi necessário improvisar. Ainda mais logo depois do Natal, quando a quantidade de lixo produzido tende a aumentar.
Dois funcionários foram contratados pelo condomínio para trabalhar com a separação dos plásticos, papéis, latas e vidros. Os produtos são vendidos e o dinheiro reutilizado na compra de materiais de limpeza para o residencial. Em média, por mês, o condomínio consegue arrecadar R$ 400 com a venda dos recicláveis.
Esse é apenas um dos exemplos dos problemas vivenciados pelos londrinenses no dia a dia. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) mantém contrato com duas cooperativas de recicladores (Coopersil e Cooprelon), que atendem cerca de 80% dos domicílios. No restante, denominado como ''área descoberta'', o lixo reciclável é misturado com o rejeito e vai parar no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR).
Há duas semanas, a CMTU apresentou novo mapa do recolhimento do lixo com possibilidade de atendimento em todos os imóveis da cidade, e ofereceu contrato para uma terceira cooperativa. A Coocepeve iria atender 42 mil residências e ter o financiamento de sacos plásticos, barracões e veículos. Porém, o impasse continua. A entidade reclama que perdeu antigas áreas em que atuava. ''Os materiais desses bairros que foram colocados para a gente não vão cobrir as nossas perdas. A gente vai andar mais e recolher pouco'', disse a presidente da Coocepeve, Sandra Araújo. Ela negocia algumas trocas com a CMTU, que já ofereceu mais 6 mil residências para a cooperativa.
Quem também vai pedir troca de área é a Coopersil, que atende a maior parte da cidade com 95 mil domicílios. ''Alguns bairros que recebemos ficam distantes dos nossos entrepostos. Por isso, vamos ver se há possibilidade deles (CMTU) trocarem com outra cooperativa'', afirmou o presidente Zaqueu Vieira.
Nenhum responsável pela Cooprelon, que teve sua área de cobertura reduzida de 95 mil para 63,6 mil moradias, foi localizado pela reportagem da Folha. A CMTU não quis se pronunciar sobre o assunto.

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