Rio, 03 (AE) - O governo federal encerrou hoje o prazo para adesão de servidores ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV). O balanço oficial só sairá na segunda-feira (06), mas a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condisef) estima que a adesão deverá ser menor do que a registrada no primeiro PDV, em 1996. Naquele ano, 10.731 servidores federais inscreveram-se no programa para deixar o emprego público e receber indenização.
"Esse PDV é uma caixa de ilusão; quem aderiu, entrou numa cilada", disse o secretário-geral do Condisef, Pedro Armengol. A entidade fez uma campanha nacional contra o programa
por meio de anúncios em rádio, outdoors e jornais dos sindicatos ligados à entidade.
Quem aderiu ao PDV teve direito a indenização de 1,25 salário por ano trabalhado no serviço público; pagamento integral dos 28,86% - índice de aumento concedido ao militares em 1993 e que vem sendo extendido aos demais servidores da União
e uma linha de crédito do Banco do Brasil (BB) de até R$ 30 mil para começar um negócio.
Armengol contou que os servidores que procuraram o Condisef receberam a orientação de não aderir ao programa. "O que adianta oferecer uma linha de crédito para se abrir um negócio, se a situação econômica do País não favorece a pequena e média empresa", disse. Segundo ele, apenas 2% dos servidores que aderiram ao PDV de 1996 estão hoje empregados.
Existem atualmente 509.436 funcionários federais em todo o País. No Rio, Estado brasileiro com maior número de servidores (cerca 108 mil), o índice de adesão também deverá ser baixo. O diretor do Sindicato dos Servidores Federais do Estado do Rio (Sintrasef), Vitor Madeira, estima que menos de 1% dos funcionários tenha aderido ao programa. "Pelas informações que nós temos, o PDV aqui é quase nulo", disse.
O funcionário que optou pelo PDV terá direito ainda a um curso de gerenciamento de pequenos negócios administrado pelo Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae). Segundo a responsável pelo curso no Rio, Taís Simões, as inscrições deverão estar abertas a partir do dia 14. O curso terá duração de um mês.
A Assessoria de Imprensa do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão informou que a intenção do governo federal com o PDV não é o corte de despesa, com a demissão voluntária de servidores, mas oferecer uma oportunidade para aqueles que desejam trocar o emprego público pela iniciativa privada.

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