Condenados terão DNA em banco de dados
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quinta-feira, 03 de janeiro de 2013
Rubens Chueire Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Pelo menos 3,5 mil condenados por homicídios, estupros e outros crimes hediondos ou praticados contra a pessoa, e que estão presos no Paraná, poderão ter o material genético coletado neste ano. A expectativa do Laboratório de DNA do Instituto de Criminalística (IC) do Paraná é de que o trabalho seja iniciado em maio.
Até lá, um grupo de trabalho criado por meio de uma resolução da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) vai definir como deverá funcionar o processo, assim como a forma de coleta das amostras. Além disso, um investimento de cerca de R$ 1,5 milhão, por meio do Fundo Especial de Segurança Pública (Funesp), deve garantir mais insumos laboratoriais, software e aumento no quadro pessoal. Tudo isso para se adequar à lei 12.654, que prevê a implantação do banco de dados de DNA criminal no Brasil - o Banco Nacional de Perfis Genéticos.
Pela lei, torna-se obrigatória a coleta de material genético dos condenados por homicídio, estupro e outros crimes hediondos. O banco de dados está sendo implantado pela Polícia Federal (PF) é o denominado CODIS (Combined DNA Index System), o mesmo aparato usado pelo FBI, a polícia federal norte-americana, e por mais 30 países.
O Instituto Nacional de Criminalística de Brasília abrigará o banco nacional, que será alimentado por dados de laboratórios de 17 Estados, entre eles o Paraná.
''É um avanço significativo pois muitos criminosos se recusavam a fornecer o DNA e isto influencia no desenvolvimento dos casos. Agora vamos aguardar as diretrizes que a PF vai repassar a todos os laboratórios antes que as coletas se iniciem. Enquanto isso vamos nos estruturar desde já'', disse o perito criminal e chefe do Laboratório do IC, Hemerson Bertassoni Alves.
Ele lembrou que, desde 2010, o Paraná já mantém um banco com informações sobre resíduos deixados em locais de crime e em vítimas de abuso sexual. Atualmente, o sistema do Paraná tem entre 300 e 400 registros.
As informações já foram fundamentais para a solução de crimes, entre eles o de um suspeito de cometer mais de 20 estupros em Curitiba e região metropolitana. Ele foi preso em junho de 2012. Como ainda não era obrigatório fornecer material genético, explicou Alves, o homem se negou a doar uma amostra sanguínea para comparar com as vítimas. A Delegacia da Mulher então encaminhou uma escova de dentes descartada pelo suspeito e, na extração de DNA das cerdas foi possível verificar que ele era o autor dos crimes.


