Rio- Nove anos após a morte de 102 idosos na Clínica Santa Genoveva, em Santa Teresa, no Rio, os sócios José Mansur e Eduardo Quadros Espínola foram condenados a sete anos e seis meses de reclusão por maus-tratos que resultaram em mortes. A juíza Mônica Tolledo de Oliveira, da 28. Vara Criminal do Rio, determinou o cumprimento da pena em regime semi-aberto e concedeu aos réus, que ainda podem recorrer da decisão, o direito de apelar em liberdade. Cada um terá que pagar multa de 90 salários mínimos.
As mortes, em junho e agosto de 1996, foram causadas por diarréia e desnutrição. Na época foram identificadas várias irregularidades na clínica, entre elas falta de médicos e má conservação de alimentos. A Santa Genoveva foi fechada pelo então ministro da Saúde Adib Jatene e o Ministério Público denunciou os donos por maus-tratos e lesões corporais graves seguidas de morte.
''Além das graves consequências geradas aos pacientes e familiares daqueles que padeceram na clínica, tais réus (Mansur e Espínola) demonstraram caráter e personalidade reprovável na medida em que ignoraram por completo a responsabilidade social que deveriam ter assumido quando decidiram investir cotas no quadro societário de uma clínica para internação de pacientes idosos, em estágio terminal e fora de possibilidades terapêuticas'', escreveu a juíza na sentença.
''Eles adquiriram a clínica e contrataram administradores, além de um procurador, permanecendo, de resto, à revelia do que lá ocorria, como se tivessem investindo em fabricação de aço ou coisa parecida. Portanto, ao meu sentir, a pena base deve ser estabelecida acima do mínimo legal.''
Os dois foram condenados a cinco anos e foi aplicada causa especial de aumento da pena na fração de 1/2, ''por força do grande número de mortes''.

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