Condenados militares colombiano por morte de líder esquerdista
Bogotá, 21 (AE-AP) - Um juiz condenou dois suboficiais do exército da Colômbia a 43 anos de prisão cada um pelo assassinado em 1994 de um senador esquerdista.
"É uma decisão histórica, é a primeira vez que a justiça comum condena os militares por esse magnicídio", afirmou o advogado do ex- senador, Miguel Puerto.
O senador Manuel Cepeda chegou ao Congresso colombiano como fruto das negociações de paz promovidas entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o maior grupo rebelde do país, e o governo do presidente Belisario Betancur, em meados da década passada.
O partido político de esquerda União Patriótica (UP) praticamente desapareceu com o assassinato de cerca de 3 mil de seus integrantes por forças de direita, incluindo o candidato presidencial Bernardo Jaramillo.
Cepeda, de 64 anos, era o único senador na época da UP quando foi assassinado em Bogotá em agosto de 1994.
Os dois suboficiais pertenciam à rede de inteligência da Brigada IX do Exército em Neiva, cidade a 280 km a sudoeste de Bogotá.
A promotoria alegou que os militares atuaram sob ordens do comandante da brigada, o então general Rodolfo Herrera Gil, que morreu de ataque cardíaco em 1996.
O assassinato de Cepeda foi uma conspiração entre Herrera e o líder paramilitar das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), Carlos Castaño, segundo a promotoria. Os dois suboficiais da brigada IX, os sargentos Justo Zúñiga e Hernando Medina, cometeram o assassinato com homens de Castaño, que também foram mortos posteriormente. Por falta de provas materiais, Castaño foi absolvido no julgamento que terminou ontem à noite.





