Curitiba- O preso Vicente de Paula Ferreira condenado a mais de 18 anos de prisão por envolvimento na morte do menino Evandro Ramos Caetano não confirmou que teria sofrido qualquer tipo de agressão ou coação durante depoimento que prestou à Polícia Federal (PF), em Curitiba, no último dia 18. A informação é do diretor da Casa de Custódia de Curitiba, José Luís Silva Ribas, que esclareceu, ontem, os motivos da remoção do réu.
Segundo Ribas, a declaração de Ferreira de que não houve qualquer procedimento irregular foi dada na presença de um advogado e de uma psicóloga do Departamento Penitenciário (Depen).
O esclarecimento veio depois que Celina e Beatriz Abagge rés que ainda irão a julgamento no mesmo caso denunciaram suposto esquema para acusá-las de envolvimento no desaparecimento de uma outra criança o menino Leandro Bossi , em Guaratuba, em 1992. Elas teriam sido procuradas pela mulher de Ferreira, Ana Lúcia Soares Colere, contando que Vicente teria sido coagido a assinar um documento que as incriminasse, depois de ser removido para uma delegacia no centro de Curitiba.
A remoção, aconteceu atendendo mandado do juiz da Vara da Corregedoria dos Presídios de Curitiba, Márcio José Tokars, para que Ferreira fosse conduzido da Casa de Custódia ao Departamento da Polícia Federal, sob escolta armada. A determinação judicial atendeu pedido do delegado da PF, Rogério Pereira da Costa, para que o réu prestasse depoimento em inquérito conduzido por aquele departamento. Outros três presos foram removidos no mesmo dia.
Ribas disse que a saída de Ferreira da Casa de Custódia se deu às 7h30 do dia 18 e o retorno às 12h30. A escolta foi feita por homens do Batalhão de Guarda da Polícia Militar (PM). O diretor destacou, ainda, que qualquer movimentação de presos das unidades penais só é feita mediante determinação do Juízo da Vara da Corregedoria dos Presídios.
O advogado de Ferreira, Haroldo César Nater, insistiu na versão apresentada por Ana Lúcia de que teria sido oferecida a seu marido delação premiada, caso ele se dispusesse a depor contra Celina e Beatriz Abagge. Disse que não sabia do depoimento de seu cliente à PF e que somente hoje irá conversar com Ferreira para saber o que aconteceu.
O delegado da PF, Rogério Pereira da Costa, não foi localizado pela reportagem da Folha.

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