Curitiba - Foi condenado por homicídio qualificado o ex-sargento da Polícia Militar (PM) Edson do Prado, acusado de ter matado a amante Maria Emília Cacciatore Florêncio, em 2005. A pena, proferida pelo juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, será de 18 anos. O julgamento por júri popular foi realizado ontem, em Curitiba, quatro anos após o crime.
No dia 4 de março daquele ano, segundo testemunhas, a artesã saiu de casa para encontrar com o então policial e discutir a pensão de uma filha do casal. O corpo dela foi encontrado após cinco dias, no meio do mato em Campina Grande do Sul (Região Metropolitana de Curitiba). Ela foi enterrada nua em uma cova rasa, coberta com cal.
Prado foi preso três dias depois, mas nunca confessou a autoria. Ele ficou detido durante dois anos e meio, quando, em 2007 um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) o colocou em liberdade. Neste intervalo, ele foi expulso da PM, após processo disciplinar.
Maria Emília e Prado mantinham um relacionamento, mesmo ele sendo casado. A filha, Vivian, na época com 3 anos, estaria junto com a mãe no dia do crime. Ela nunca mais foi encontrada. Segundo o avô da criança, Luiz Ubaldino, a família entrará com novo processo acusando Prado pelo desaparecimento da neta.
Entre as provas apresentados pela acusação estavam indícios de que havia cal na viatura utilizada pelo ex-policial e registros telefônicos que mostrariam a localização dele próxima ao local onde estava o corpo. A promotoria também levou testemunhas que falaram sobre o perfil violento do réu, inclusive durante situações de trabalho. A família diz que não tinha dúvida, desde o desaparecimento de Maria Emília, do envolvimento de Prado.
A tese da defesa foi baseada no argumento de que não havia provas conclusivas sobre a autoria do crime, afirmando que nenhum indício ligava diretamente Prado à execução da amante. Para o assistente da acusação, Julio Militão da Silva, apesar de não existirem provas da autoria, a materialidade e as testemunhas deixam claro o envolvimento do réu.
A defesa questionava hipóteses levantadas durante as investigações, como ameaças que a vítima vinha recebendo na época ou a existência de outros parceiros dela, nunca terem sido apuradas pela polícia. Segundo o advogado do réu, Alessandro Silvério, a defesa irá apelar da decisão juri.

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