Condenações à morte causam polêmica no Texas2/Mar, 18:16 Washington, 02 (AE-ANSA) - Dois casos de pena de morte causaram comoção na "maquinaria da morte" do estado do Texas, que ostenta o recorde de execuções nos Estados Unidos. Em Huntsville, foi executado com injeção letal na noite de ontem Odell Barnes, de 31 anos, cuja condenação fora posta em dúvida e que, até o último momento, proclamou-se inocente. Para obtenção de clemência, houve intervenção do papa João Paulo II e do presidente francês Jacques Chirac. Poucas horas antes, um juiz ordenara a libertação de Calvin Jerold Burdine, um "gay" condenado à morte em um processo no qual seu advogado dormia e no qual um juiz disse que a prisão perpétua "não é castigo para um homossexual, dado o que ocorre no cárcere". Para os adversários da pena capital, este último caso mostra os limites e perigos da condenação à morte. Em 1999, o juiz federal David Hittner anulara a condenação de Burdine, ocorrida en 1984, pois o advogado não ofereceu defesa adequada, dormindo durante grande parte do debate. O magistrado deu à acusação 120 dias para instruir um novo processo ou libertar o condenado. Os prazos processuais caducaram há alguns dias. Ontem, Hittner ordenou a liberação de Burdine em cinco dias. O condenado não será posto em liberdade, mas deixará o corredor da morte. No caso de Odell Barnes, ele jurou inocência até o último momento. Na maca da câmara de morte, ele disse: "Agradeço a vocês por provarem minha inocência, apesar de isto não ter sido reconhecido pelos tribunais." Os defensores de Barnes e os adversários da pena capital dizem que ele não violou nem matou sua vizinha Helen Bass, de 42 anos, em 1989, durante um roubo, e acusam a polícia de ter armado tudo.