Kuala Lumpur, 14 (AE-ANSA) - O ex-vice-primeiro-ministro da Malásia Anwar Ibrahim foi considerado hoje (14) culpado de quatro acusações de corrupção e condenado a seis anos de prisão.
Enquanto um juiz do Supremo Tribunal lia o veredicto, centenas de simpatizantes de Ibrahim realizavam manifestações de protesto, que incluíram incidentes de violência, prometendo que continuarão com sua campanha para erradicar a corrupção e derrubar o primeiro- ministro Mahathir Mohamad, no poder há 18 anos.
Ibrahim, de 51 anos e pai de seis filhos, foi considerado culpado de ter usado sua influência, em 1997, para despistar acusações contra ele de adultério e homosexualidade. Autor de reformas democráticas, o ex-vice-primeiro-ministro declarou-se inocente e acusou Mohamad de corrupção e de ter urdido um complô contra ele para conservar o poder.
O processo foi definido como uma farsa, já que muitas testemunhas que o haviam acusado de violação acabaram se retratando. A maioria disse ter sido pressionada a testemunhar contra o Ibrahim pela polícia. O julgamento também desatou duras críticas internacionais. A Anistia Internacional definou-o como "politicamente desviado" e pediu a imediata libertação de Ibrahim.
O ex-vice-primeiro-ministro foi detido em setembro e brutalmente espancado pelo então chefe de polícia e outros policiais, que foram indiciados pelo caso. Ibrahim, sobre o qual pesam outra acusação de corrupção e cinco de sodomia, apresentará um recurso de apelação. A pena de prisão também significa a perda de seu cargo de deputado e a proibição de apresentar-se a novas eleições durante um período de cinco anos após sua libertação.

mockup