Conde vai pedir à Anatel desmembramento da Telemar
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quinta-feira, 06 de abril de 2000
Por Irany Tereza e Maria Fernanda Delmas 
Rio, 07 (AE) - O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, vai entregar ao diretor-geral da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, um relatório pedindo o desmembramento da Telemar-Rio da holding de 16 companhias com área de atuação até o Amazonas. Conde irá se queixar do que classificou de "péssimo serviço" da operadora diretamente ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que participa domingo, no Rio, da abertura do Americas Telecom, feira que reunirá todas as empresas do setor.
"A Telemar é um absurdo, não existe como companhia", protestou o prefeito. "É uma empresa caça-níqueis formada por grupos com experiência apenas em shopping centers e construção, sem um operador de telecomunicações." Hoje pela manhã Conde falou por telefone com Guerreiro, em Brasília. Segundo ele, o diretor da Anatel afirmou que vai examinar as denúncias. O prefeito pretende, inclusive, pedir a cassação da concessão e uma nova licitação apenas para o Rio. "Não sei se isto é possível, mas o que não é possível é o Rio continuar com esse desserviço."
O presidente da holding Telemar, Manoel Horácio da Silva
não quis rebater as críticas do prefeito. Mas na quinta-feira havia afirmado que os investimentos no ano passado foram de R$ 1 bilhão, o que comparou ao valor investido pela Prefeitura na cidade. "O presidente da Telemar é uma pessoa despreparada para o cargo e nem conhece a cidade onde está", rebateu Conde, afirmando que os investimentos apenas em educação foram de R$ 1 1 bilhão.
"A Telemar tem de dizer onde e em que investiu e quanto arrecada no Rio, uma cidade responsável por 10% do PIB nacional", afirmou. Há duas semanas, Manoel Horácio afirmara que os investimentos da empresa no Rio serão ampliados de R$ 900 milhões para R$ 1,2 bilhão. Ele garantiu que a empresa terminará o ano com 300 mil novas linhas e 400 mil linhas analógicas substituídas por digitais - isto representa uma antecipação de 300 mil linhas que seriam ofertadas apenas em 2001. Hoje ele afirmou, por meio de sua assessoria, que já falara "tudo o que havia para ser dito a respeito".
O prefeito reclamou especialmente da implantação frustrada do sistema DVI (linha de maior capacidade, que permite a utilização simultânea de telefone e Internet) no Rio e do não atendimento da Telemar para a instalação de uma rede interligada entre escolas municipais. Segundo ele, a empresa não respondeu a nenhuma de suas solicitações de esclarecimento. "Não respondeu porque não sabe, não existe, não é como, por exemplo, a Telefonica de São Paulo", afirmou, comparando os serviços das empresas carioca e paulista.


