Conde tem vantagem sobre Maia na disputa pela prefeitura
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 05 (AE) - O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), chega à reunião da executiva regional do partido, na segunda-feira (08), com vantagem sobre seu antecessor, Cesar Maia, pela candidatura à prefeitura da cidade em 2000. O presidente do PFL fluminense, deputado Arolde de Oliveira, informou hoje que a cúpula pefelista no Estado reafirmará no encontro a decisão do comando nacional da legenda de considerar os seus atuais prefeitos "candidatos naturais" à reeleição. A iniciativa sinaliza uma preferência por Conde, embora a resolução não vá mencioná-lo.
"Temos no Rio uma liderança expressiva, responsável pelo sucesso do PFL no Estado, e, inclusive, pela eleição do atual prefeito, que é o Cesar", disse Oliveira. "E temos o Conde, que é prefeito e candidato natural à reeleição." Na última segunda-feira, o prefeito do Rio participou, em Brasília, de jantar com caciques nacionais do partido, entre eles o seu presidente, senador Jorge Bornhausen (SC), e o vice-presidente da República, Marco Maciel, no que foi interpretado como demonstração de seu prestígio nacional dentro da legenda. Procurado hoje, Conde não falou sobre o assunto.
Maia diz que foi convidado para o jantar e não pôde ir por ter compromissos familiares, mas mudou de discurso após a movimentação do prefeito. No início de janeiro, reuniu-se com Conde e disse que conduziria o processo sucessório na prefeitura. Maia avisou que a convenção municipal do partido, em 6 de março, deveria eleger uma chapa formada por pessoas que escolheria (o que lhe garantiria o domínio da escolha da candidatura), e somente em abril ou maio de 2000 o PFL deveria escolher candidato. Conde, que queria até ser consagrado candidato ainda em janeiro, exigiu participação no debate.
"Não dou a mínima bola para essas estruturas e diretórios, o importante é estar bem na opinião pública", afirmou Maia, agora desdenhando a convenção deste ano. Ele disse que "acabou de perder uma eleição" e lembrou que em 1999 a conjuntura será difícil para todos os governantes, inclusive para Conde, o que poderá levá-lo a cair na preferência da opinião pública. Afirmou que só será candidato a prefeito "se as condições forem absolutamente favoráveis". Suas declarações coincidiram com as de Oliveira, que disse "duvidar que o Cesar, após perder uma eleição, concorra à prefeitura sem que a bola esteja quicando".
Em lugar de se apresentar como alternativa, Maia deu destaque hoje à idéia de um "tertius", um terceiro candidato, para o caso de Conde, devido a problemas administrativos, cair na preferência popular. Ele admitiu que o atual prefeito deu mais espaço em seu governo a indicações de políticos, mas disse duvidar da eficácia dessa estratégia dentro do partido. Mesmo a intervenção no diretório municipal no caso de uma decisão "suicida", que mencionara, foi "relativizada", pois Maia lembrou que a possibilidade de a direção nacional intervir consta dos estatutos do PFL e poderia ser usada mesmo se ele, sem chance, fosse candidato.
O tom mais ameno de suas declarações coincidiu com afirmações menos belicosas de vereadores ligados aos grupos "cesarista" e "condista" que há poucos dias confessavam estar fazendo filiações, visando à convenção de 6 de março, e ameaçavam com um racha, se perdessem. "Há uma expectativa de haver uma chapa de consenso na convenção", afirmou a vereadora Rosa Fernandes, ligada a Conde. Em janeiro, Rosa declarara que Conde poderia até ser candidato à reeleição por outra legenda.
Hoje, tanto Maia quanto a prefeitura esclareciam que a demissão da irmã do ex-prefeito, Ana Maia, que era assessora no Executivo, ocorreu ontem (04) a seu pedido. Ela foi trabalhar com o vereador Alexandre Cerruti. O próprio Maia admitiu, contudo, que Conde pode estar magoado.


