Rio, 27 (AE) - O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), defendeu hoje duas propostas polêmicas para a área de segurança pública: o uso de armas por guardas municipais e a cobrança de uma taxa ou um imposto indireto, cuja arrecadação seria destinada para aparelhar a polícia, a exemplo do que hoje está sendo discutido pelo governo de São Paulo. Amanhã (28), o prefeito deverá encontrar-se com representantes do governo estadual para discutir as duas questões.
"A área de segurança pública precisa de dinheiro para comprar viaturas e modernizar as delegacias", disse Conde, que não definiu como seria a cobrança da taxa para financiar a segurança. As duas propostas foram apresentadas na abertura da conferência internacional sobre violência e segurança pública, no Museu Nacional de Belas Artes, no centro do Rio, que reúne até amanhã (28) especialistas brasileiros e estrangeiros, entre eles o ex-chefe da Polícia de Nova York Louis Anemone.
Conde disse que vai pedir ao governador do Rio, Anthony Garotinho, a autorização para que um grupo de 160 guardas municipais passem a usar revólver calibre 38. Segundo ele, esses homens seriam destacados para cuidar da segurança entre o horário das 18h às 23h em áreas críticas da cidade, como Parque do Flamengo, Quinta da Boa Vista e Parque Nacional da Tijuca, onde a políca registra um grande número de assaltos e roubos de carros. A idéia, para entrar em vigor, precisa ser aprovada pela Câmera de Vereadores.
A Lei Orgânica do Município que regulamenta o serviço da guarda municipal prevê que ela cuide do policiamento da cidade sem a utilização de armas, exceto os guardas que trabalham na segurança da casa do prefeito, na Gávea Pequena, na zona sul do Rio. "Acredito que o governador simpatizará com essa proposta"
afirmou Conde.
A idéia de guardas armados não agradou ao sub-secretário de Segurança e coordenador de Justiça, Defesa Civil Cidadania, Luiz Eduardo Soares. "A Guarda Municipal desarmada representa um exemplo de que podemos cuidar da segurança apenas respeitando os direitos do cidadão sem precisar empunhar uma arma", ressaltou Soares.
Já o secretário de Segurança Pública, coronel Josias Quintal
ressaltou que as duas propostas não estão, no momento, na pauta de discussão do governo estadual, mas que poderão ser analisadas e talvez adaptadas à realidade da violência do Rio. "O governo está aberto a sugestões", disse.
NOVA YORK - Na conferência, o ex-chefe da polícia de Nova York Louis Anemone disse que todos os países devem investir na área de segurança. Ele afirmou que a prefeitura daquela cidade está investindo em técnicas e no aprefeiçoamento de policiais, cujos resultados já começaram a ser postivos: em 1998, ocorreram mais de 403 mil prisões, mas apenas 19 foram em confronto entre criminosos e a polícia.

mockup