Conde proíbe GM de atuar no policiamento de eventos públicos
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 09 (AE) - Um dia depois de o deputado Chico Alencar (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), ter entrado com uma representação no Ministério Público estadual, denunciando atos de espionagem de agentes da Guarda Municipal (GM), o prefeito Luiz Paulo Conde proibiu a GM de atuar no policiamento de eventos públicos. A Guarda Municipal foi criada para fazer policiamento desarmado nas ruas e controlar o trânsito.
À paisana, agentes da Assessoria de Assuntos Internos (AAI) da GM participaram e redigiram um documento sobre o evento entitulado "Tribunal da dívida interna", organizado por entidades civis e realizado nos dias 27 e 28 de abril no Teatro João Caetano, no centro, relatando o conteúdo dos seminários apresentados. Para Chico Alencar, a atitude é estranha às funções dos guardas municipais, que estariam atuando como agentes secretos. "Guarda tem que organizar e defender as vias públicas e o trânsito, e não espionar seminários", afirmou. "Isso mais parece coisa da ditadura militar; se não houver uma reação, vamos voltar ao que acontecia naquela época terrível".
Proíbe - Após examinar o documento, Conde anunciou que vai proibir que guardas vigiem eventos públicos. "Nunca mandei ninguém fazer isso", afirmou o prefeito. "Além disso, o relato é bobo, não é do interesse da Guarda". O superintendente da GM, coronel Paulo Cesar Amêndola, que no início da semana havia negado a existência do relatório, voltando atrás no dia seguinte
acha que Alencar está "fazendo um circo" com o caso. "Desde quando entrar em um evento público é espionagem?", indagou.
Amêndola explica que o documento foi encomendado pela direção do Teatro João Caetano, que temia tumultos nas redondezas do evento. "O fato de os agentes não estarem fardados não quer dizer que eles são espiões; todos da AAI andam à paisana", disse. Mesmo assim, será aberta uma sindicância interna para apurar o caso.


