Carmem Murara
De Curitiba
Os concursados da Polícia Civil que aguardam ser chamados pela Secretaria de Segurança Pública para as vagas de escrivão e investigador fizeram ontem um protesto, em frente ao Palácio Iguaçu, para cobrar uma posição do governo. Eles temem não ser convocados, pois fizeram as provas em julho de 1997 e já cumpriram todas as etapas exigidas no concurso. O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse que não há previsão da data de contratação. Tudo vai depender das finanças do governo do Estado.
Oliveira e a secretária de Administração, Maria Elisa Paciornik, receberam uma comissão dos manifestantes no meio da tarde. Os dois secretários informaram que o Estado passa por um processo de corte de despesas e que contratar novos funcionários públicos poderia comprometer as finanças.
O chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, já havia alertado para o problema, em uma reunião que teve com os concursados no início da manhã. ‘‘Não podemos ultrapassar o limite da Lei Camata’’, enfatizou. A lei impede que Estados e municípios gastem mais de 60% das receitas com a folha de pagamento, a partir de janeiro de 2001.
O que revoltou os aprovados no concurso foi a atitude do governo do Estado, que, no final do primeiro mandato, contratou cerca de 500 assistentes de segurança, conhecidos popularmente como ‘‘delegados calça-curta’’, para pequenos municípios do interior do Estado. ‘‘Por que o governo contratou-os pelo mesmo salário que teríamos e não nos chamou?’’, questionou Valdir Pereira Silva, um dos manifestantes.
Eles estavam descontentes também com os gastos que já tiveram por causa do concurso. ‘‘O Estado arrecadou R$ 25,00 de inscrição de cada um dos 20 mil inscritos no concurso. Acho que todo este concurso foi só armação para tirar dinheiro da gente’’, reclamava Claudiney Andrade. Ao todo foram aprovados 700 candidatos a escrivão e investigador.

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