São Paulo, 15 (AE) - Concorrentes da Arapuã, do Mappin, da Mesbla, da G. Aronson e da Brasimac consideram que já ampliaram suas vendas nos últimos meses por conta das dificuldades financeiras enfrentadas por essas empresas. Uma eventual decretação de falência da Arapuã e do grupo Mappin-Mesbla não deverá alterar o panorama desse mercado.
O próprio ranking das redes que mais faturaram em 1998, da revista Melhores e Maiores, confirma que as empresas com problemas financeiros, como Arapuã e Mappin, já não constam na lista da nove maiores do varejo. Isso confirma, de certa forma, que parte da clientela das redes em dificuldade foi absorvida pela concorrentes, que hoje estão em posição privilegiada.
"O que tinha de mudar já mudou", afirmou um executivo de um a empresa concorrente que prefere não ser identificado. Segundo ele, se for decretada a falência dessas empresas o aumentou de vendas para concorrentes será marginal.
Na sua opinão, a queda registrada nas vendas de sua empresa no ano passado foi menor que os 28% indicados pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) porque a sua companhia conseguiu conquistar parte dos clientes das redes em dificuldades.
"É obvio que nós absorvemos a clientela de outras redes", disse o diretor de outra rede concorrente, especializada em eletroeletrônicos, que também não quer ser identificado. Mas, de acordo com o especialista em varejo da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo, mesmo para quem sobreviver nesse mercado a concorrência é um desafio.
Diversificação - Com a entrada dos hipermercados no segmento de eletrodomésticos e a venda direta dos fabricantes, por meio de consórcios, as lojas terão de aumentar a oferta de serviços ao consumidor, previu o consultor. Nesse ponto, ele destacou o desempenho da rede Panasonic.
Foganholo contou que, nos últimos meses, a empresa passou a prestar serviços especializados para o seu consumidor, como por exemplo, mandando um técnico na casa do cliente para explicar o funcionamento dos aparelhos que vende.
Arapuã - O advogado da Arapuã, Sérgio Bermudes, desmentiu hoje a possibilidade de a decretação da falência da Arapuã ser iminente. "De imediato não existe risco de falência", afirmou.
Ele explicou que o juiz que trata do processo de concordata da empresa quer ouvir a Arapuã sobre o depósito da primeira parcela da concordata e o representante do credores sobre o plano de reestruturação apresentado pela empresa. O prazo para as partes se manifestarem é de cinco dias, após a publicação da decisão do juiz no Diário Oficial.
O porta-voz da Arapuã, João Alberto Ianhez, reafirmou que não há risco iminente de falência. Segundo ele, nas duas últimas semanas a adesão dos credores ao plano de reestruturação cresceu de 79% para 83%. "O Banco Patrimônio, a General Electric, o Bancoo Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (BNDESPar) e a Panex aderiram ao plano", afirmou.

mockup