Concorrente da Embratel investirá R$ 2,8 bi em quatro anos
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segunda-feira, 17 de maio de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 18 (AE) - A Bonari Holding, empresa-espelho da Embratel, vai investir no Brasil R$ 2,8 bilhões nos próximos quatro anos. A estimativa da direção é de que, neste prazo, sejam criados 3 mil empregos, 800 deles ainda este ano. A Bonari
que venceu em janeiro leilão para operar no País em rede de telefonia fixa, será concorrente da Embratel e das companhias telefônicas regionais em ligações de longa distância (interurbanas e internacionais).
Formada por um consórcio de três empresas - a inglesa National Grid (50%), a norteamericana Sprint (25%) e a francesa France Telecom (25%) - a Bonari assinou este mês uma carta de intenções com a RailNET, que administra uma malha ferroviária de 25 mil quilômetros. Por meio desta rede, a empresa-espelho vai passar 10 mil quilômetros de cabos de fibra ótica para atendimento aos usuários. Em São Paulo, será utilizada a infraestrutura do Metrô, para atendimento à capital paulista.
A empresa vai entrar em operação no fim do ano, com uma campanha publicitária agressiva. Para aumentar a identificação com o mercado nacional, o presidente e o diretor de Recursos Humanos estão sendo selecionados executivos brasileiros com experiência no exterior.
"Estamos acelerando nossos investimentos no Brasil", diz o presidente interino, John Berndt, anunciando para este mês a liquidação das parcelas restantes pela licença de exploração do mercado.
A empresa venceu o leilão com uma proposta de R$ 55 milhões pela concessão, R$ 22 milhões dos quais foram pagos em janeiro. O restante, segundo estipula o contrato, deveria ser pago em duas parcelas, a primeira em janeiro de 2000 e a segunda
um ano depois. "Com o pagamento antecipado, vamos economizar com os juros", diz Berndt.
Ele não revela o valor dos investimentos em publicidade nem adianta a política de tarifas na fase de lançamento da campanha. "A competitividade neste setor está muito forte", argumenta.
Bonari é ainda um nome provisório. A logomarca e a denominação definitiva da empresa estão sendo escolhidos por meio de pesquisa junto a consumidores feita pela Talent, agência de publicidade de São Paulo.
A entrada no mercado está sendo minuciosamente preparada
já que a empresa vai ingressar num momento em que suas principais concorrentes já terão um marketing forte junto à clientela. A Embratel, que emplacou campanhas bem sucedidas das ligações DDD e DDI, lança quinta-feira o código 21 como o oficial da empresa para estas ligações telefônicas.
"Vamos mostrar que 23 também é Brasil", diz Paul Kershisnik, diretor de Marketing da espelho, referindo-se ao código que coube à Bonari. Ele diz que não foi surpresa o grande investimento das concorrentes para fixarem suas marcas no mercado. "Isto já era previsto", afirmou, lembrando que nos Estados Unidos e em alguns países europeus as tarifas telefônicas caíram até 50% num prazo de sete a dez anos, depois da abertura do mercado.
Os acordos firmados para passagem dos cabos da Bonari não invalidam, segundo os diretores, as negociações ainda em curso para utilização de dutos da Petrobrás e da rede de transmissão de energia da Eletrobrás, administrada pela Lightpar. "Não descartamos nenhuma outra possibilidade", afirma o diretor de Projetos, Paul Donnelly.


