São Paulo, 23 (AE) - O consumidor é o maior beneficiado com a chegada de uma nova empresa para competir com a Telefônica
a antiga Telesp, no mercado de telefonia fixa de São Paulo. Até a própria Telefônica admite isso, mas nem todos os paulistas saem ganhando na mesma proporção. Segundo especialistas, a concorrência vai acontecer inicialmente apenas no mercado dos grandes clientes.
A Megatel, consórcio que arrematou a chamada "empresa-espelho" da Telesp, deverá atacar principalmente os clientes corporativos, formado por empresas com muitas linhas e que pagam contas telefônicas mais elevadas ao fim de cada mês. O segundo passo será estender o serviço para os bairros nobres, de renda mais elevada, onde os assinantes falam mais ao telefone e estão dispostos a pagar por serviços de valor agregado.
Na prática, a Telefônica continuará por muito tempo com o monopólio assegurado da telefonia fixa na maior parte do Estado de São Paulo. Na periferia, a competição vai demorar ou talvez nunca chegue, segundo o representante da sociedade na Anatel, economista Márcio Wohlers. O mesmo deverá ocorrer nas demais regiões do País, especialmente em áreas como a da Tele Centro Sul, onde não surgiram interessados para a compra da empresa-espelho.
Em nota distribuída hoje, a Telefônica deu boas-vindas à nova concorrente. "Achamos importante para a Telefônica e para a população brasileira que essa etapa da privatização esteja sendo concluída", disse o presidente do Grupo Telefônica, Fernando Xavier Ferreira. "Esse modelo de privatização tem como objetivo maior a defesa do consumidor pela garantia da plena competição no mercado", acrescenta Ferreira.
Segundo ele, o grupo espanhol recebe "com serenidade" a escolha do concorrente. "Estamos preparados para a competição
que só vai trazer benefícios para o usuário do sistema de telefonia do Brasil." A nova empresa que está entrando no mercado pagou um valor muito menor pela concessão do serviço do que a Telefônica, já que terá de partir do zero para construir a nova rede. Mas o novo concessionário terá a vantagem de poder utilizar uma nova tecnologia que dispensa a necessidade de instalar nova rede de cabos e fiação. Trata-se do sistema WLL (Wirelles Local Loop), que transmite dados de uma central até uma antena receptora de um pequeno aparelho na casa do assinante.
A distribuição dos sinais para grandes assinantes e para as centrais deverá utilizar as redes de fibras óticas já disponíveis em muitos bairros de São Paulo. Estas redes também já fazem a conexão entre as principais regiões do País.
Percebendo o potencial de expansão dos serviços de telecomunicações, diversas empresas entraram neste mercado nos últimos anos. Até mesmo os concessionários de rodovias e ferrovias, assim como as empresas de energia, passaram a instalar cabos óticos ao longo das suas áreas de concessão para tirar proveito do novo mercado que está surgindo no Brasil graças aos investimentos feitos na expansão da rede de telefonia.

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