Concorrência reduz tarifa do transporte em Itapetininga
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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por José Maria Tomazela 
Itapetininga, SP, 29 (AE) - Esperar o ônibus ou disputar um táxi, incômodos inevitáveis para moradores de qualquer cidade de porte médio do País, deixaram de ser problema para os 130 mil habitantes de Itapetininga, a 165 quilômetros da capital paulista. Há mais de um ano, ônibus e táxis disputam os passageiros com mototáxis e vans. A concorrência tornou possível deslocar-se para qualquer parte da área urbana, mesmo de táxi, pagando só R$ 1,00. Se o passageiro quiser, pode ser apanhado em casa na hora marcada. Os mototaxistas fazem entregas, compras e serviços de banco. "Servimos também como meninos de recados", diz Humberto Amalfi, um dos pioneiros.
Foram os mototáxis os responsáveis pela revolução no transporte coletivo da cidade, segundo o secretário municipal de Serviços Urbanos, Aristeu Correia de Moraes. "Havia uma crise no setor, pois o serviço de ônibus era considerado deficiente, e os táxis, caros". Quando os primeiros mototaxistas começaram a circular, há dois anos, a prefeitura decidiu não criar obstáculos. "A população aceitou bem o serviço e em pouco tempo havia seis ou sete empresas operando".
Os donos da concessionária do transporte coletivo reagiram, a princípio, tentando barrar a concorrência. "Mas logo viram que o melhor a fazer era entrar na disputa", contou Moraes. A empresa adquiriu oito vans e pôs para circular na área urbana. Os motoristas de táxi, vendo a freguesia sumir, também entraram na briga. "A maioria, hoje, faz corridas por R$ 1 00". O mototaxista João Carlos Nunes Vieira, da empresa Vermelhinhos, faz mais de 50 corridas por dia. Às vezes, surgem passageiros incomuns. "Já transportei cachorros e até galinhas".
A garota Inês Salem foi uma das primeiras mulheres a entrar no serviço. "Tenho muitos clientes que ligam e eu vou apanhá-los em casa ou no serviço". Ao todo, há 329 mototáxis cadastrados e 80 clandestinos. O serviço é seguro, garante o presidente do Sindicato dos Mototaxistas, Antônio Barbosa. "Em dois anos, tivemos só um acidente grave". A vítima, uma passageira, teve uma perna amputada.
O Sindicato dos Taxistas explorou o acidente para tentar impedir a regulamentação dos concorrentes, mas a maioria dos 88 taxistas urbanos aderiu ao preço baixo. "A tarifa de R$ 1,00 só vale para a área urbana mais central", diz o taxista Cirso Nunes. Para bairros distantes, prevalece o taxímetro ou a negociação com o passageiro. Os táxis que não aderiram à tarifa baixa e ainda usam o taxímetro amargam redução de 50% nas viagens. "Eu fazia dez corridas e hoje faço cinco", conta José Mariano Barbosa.
Os ônibus também perderam a metade dos passageiros, segundo Antônio Joaquim da Costa, dono da Viação Nossa Senhora Aparecida, concessionária do transporte. "Os mototáxis estão fora da lei e ainda vão acabar com o transporte coletivo de Itapetininga". Ele disse que os ônibus operam com prejuízo porque fazem o transporte social. Também sobraram para a companhia as linhas mais distantes, deficitárias. Os ônibus também cobram R$ 1,00.
Para os passageiros, a disputa "caiu do céu", como conta o vendedor Orlando Tomé. "Antes, tínhamos de esperar até meia hora no abrigo de ônibus, agora não dá tempo nem de sentar". O agrônomo Rodolfo Cyrineu passou a deixar o carro em casa. "O táxi ou a moto me pegam na porta".


