Curitiba- Faz quase três décadas que uma cadeira no curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) um dos mais concorridos da instituição foi ocupada por um negro. Foi com base nessa constatação que o reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, justificou a validade do sistema de cotas para afrodescendentes e alunos de escolas públicas, oficializado, anteontem, com a assinatura da resolução que implanta o Plano de Metas de Inclusão Racial e Social na universidade.
Para Moreira Júnior, mesmo que apenas um aluno negro ingresse no curso de medicina no ano que vem, a UFPR já estará rompendo com uma situação de exclusão que se arrasta desde 1976. No próximo vestibular da UFPR, 35 vagas de Medicina serão destinadas aos afrodescendentes. Os negros que estiverem entre os 1.080 candidatos aprovados para a segunda fase terão a preferência na ocupação das vagas do curso até o limite de 20%. Por isso, a expectativa é de que número de negros seja ainda maior.
Assim como em medicina, o reitor defende que em outros cursos mais concorridos haverá mudança no perfil de ocupação das vagas tanto em relação aos negros como estudantes de escolas públicas. Ele lembrou que se o sistema de cotas estivesse valendo no último vestibular, 12 alunos negros teriam ingressado no curso de Direito e não apenas um como aconteceu. Já com relação ao egressos do ensino público, o reitor apontou que apenas 8% a 10% das vagas de Direito são ocupadas por esses alunos. ''É uma mudança que causa polêmica, mas a pior forma de segregação é a indiferença'', declarou Moreira Júnior.
Em relação aos alunos de escolas públicas, uma alteração de última hora no plano de metas abriu a possibilidade de estudantes que cursaram um ano do ensino básico em escola particular também poderem se candidatar no sistema de cotas. A mudança vale somente para o próximo vestibular. A partir do ano que vem, volta a valer a proposta original de aceitar apenas alunos que tiveram toda sua formação em escola pública.
Outro ponto que pode gerar polêmica, como já aconteceu na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), é como comprovar se o aluno que está ingressando pelo sistema de cotas é de origem negra. Moreira Júnior afirmou que caberá aos demais alunos afrodescentes policiarem possíveis incompatibilidades. A comissão constituída para acompanhar os futuros acadêmicos também poderá abrir sindicância, que pode resultar na perda da vaga e em processo criminal por falsidade ideológica.

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