Rio, 16 (AE) - A conclusão da usina nuclear de Angra 3 - que já consumiu R$ 1,4 bilhão em compra de equipamentos - custará cerca de US$ 1,6 bilhão. Esta foi a conclusão de dois estudos independentes feitos pelas empresas de energia Iberdrola e Eléctricité de France (EDF), a pedido da Eletrobrás. Os relatórios foram recebidos na última quinta-feira pelo presidente da estatal, Firmino Sampaio, e enviados ao ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. O governo deve decidir até o fim do ano se termina ou não a obra.
Depois desse prazo, expiram as garantias da empresa KWU, subsidiária da alemã Siemens, para a instalação do maquinário. O desperdício de recursos em Angra 3 representa hoje quase a metade do que já foi investido no projeto.
Por causa das sucessivas desvalorizações cambiais, o mesmo equipamento estocado para a montagem da usina poderia ser adquirido atualmente por R$ 750 milhões. O custo de um investimento como este é também superior ao de uma hidrelétrica com capacidade de geração de 2 mil megawatts (MW).
Pela da espanhola Hiberdola, o orçamento da obra será de US$ 1,6 bilhão. Já a francesa EDF estimou os gastos em US$ 1,588 bilhão. A Eletronuclear, responsável pela administração das usinas nucleares, havia fixado os custos em US$ 1,7 bilhão.
Caso o governo decida pela viabilidade do projeto, a construção será iniciada no segundo semestre de 2000 e se estenderá por cinco anos. Segundo o presidente da Eletronuclear, Ronaldo Fabrício, o financiamento seria dividido em partes iguais entre a União, a Eletrobrás e agências de crédito internacionais.
Apesar de todos os pontos desfavoráveis, ele considera importante terminar a terceira usina nuclear do complexo de Angra. "Uma hidrelétrica é mais barata, mas os pontos mais próximos e mais baratos já foram explorados", disse Fabrício, durante a realização do 1º Forum Nacional de Secretários Estaduais de Energia e Infra-Estrutura, ontem, em Angra dos Reis
no sul fluminense.
Lembrando que, por estar situada próximo de grandes centros consumidores, a usina dispensaria parte dos custos de transmissão, Fabrício classificou a Angra 3 de "estrategicamente importante".
Angra 2 - A usina de Angra 2, que entrará em operação em fevereiro do ano que vem, 23 anos depois do início de sua construção, terá consumido, até o fim do ano 2000, R$ 10,6 bilhões em investimentos (valor atualizado).
Até fim de 1998, já haviam sido gastos R$ 9,8 bilhões, quantia calculada pelo Ministério da Fazenda que, depois de dolarizada (US$ 6 bilhões) foi assumida como despesa pelo governo. Daí para a frente, o empreendimento passou a ter responsabilidade de caixa para a Eletrobrás. Este ano serão investidos R$ 600 milhões e, para o ano que vem, a previsão é de mais R$ 200 milhões.
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, que também participou do fórum, classificou de importante a conclusão das usinas de Angra 2 e 3 para evitar riscos de racionamento de energia devido ao aumento da demanda.
"Pelo nível de informação, avaliamos positivamente o projeto", disse Abdo. "Considerando a economicidade e a tecnologia, não será um mergulho no desconhecido."
Manifesto - Representantes de 19 estados participaram do encontro, onde foi elaborado um manifesto de apoio à conclusão do projeto, que será enviado ao governo federal. Caberá ao Poder Executivo a decisão, já que o assunto não necessita passar pelo Congresso.
A usina da Angra 1 produziu, no ano passado, 3,2 milhões de megawatts por hora. Se operasse a plena capacidade, teria condições de suprir o mercado em até 4,5 milhões de MW/h. Angra 2 terá capacidade máxima de 10 milhões de MW. Angra 3, caso seja concluída, terá porte semelhante.

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