Londrina - O delegado de Cambé, Jorge Barbosa, concluiu o inquérito sobre a morte da menina Joseane Pereira Moraes. O documento conta 181 páginas, mais um apenso com 118 folhas, e foi remetido ontem ao Ministério Público. Adão Barbosa Xavier, 48 anos, foi indiciado por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro.
Joseane Moraes desapareceu no dia 3 de dezembro, depois de participar de uma festa na Capela São Francisco de Assis, no Jardim Ana Eliza III. O corpo da criança de nove anos foi encontrado apenas no dia 5 de janeiro, abandonado no fundo de vale do bairro, a poucos metros da casa onde ela vivia com a família. O cadáver estava decapitado, envolto em espumas e enrolado em um saco plástico. A poucos metros do corpo a polícia encontrou a mandíbula, um osso do crânio e o couro cabeludo da vítima.
Após investigação, a polícia chegou até o catador Adão Xavier. Ele confessou o crime. O acusado teria tido relacionamento amoroso com a mãe da vítima, amiga íntima da filha mais nova dele. Xavier alegou em depoimento ter abusado da criança porque é alcoólatra. Ele admitiu estar sob efeito de bebida quando convenceu a menina a levá-la para casa após a festa na igreja, violentou sexualmente a vítima e depois desferiu murros contra a cabeça dela. ''Tive medo que ela contasse para alguém'', justificou.
O inquérito conta com cinco laudos, entre eles o cadavérico e o odontológico realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. As perícias auxiliaram a polícia a desvendar o caso. ''Até então não sabíamos a causa da morte. Durante o interrogatório, ele falou como matou a Joseane. O laudo confirmou isso com riqueza de detalhes, descrevendo até onde foram os murros na cabeça'', afirmou o delegado Jorge Barbosa.
O laudo odontológico, o qual a Folha teve acesso, aponta ''lesão encefálica por traumatismo crânio-encefálico fechado por instrumento contundente com fratura em ambos os arcos zigomáticos.''
O exame de DNA, que é feito no IML de Curitiba e que comprovaria com absoluta certeza a identidade da vítima, deve ser concluído ainda este mês e será remetido à Delegacia de Cambé. Posteriormente, o laudo será anexado ao processo que estará tramitando no judiciário. ''Não tenho dúvida que foi ele, embora não tenha ainda o exame de DNA. Tenho certeza pelas evidências, local de morte, confissão e reconhecimento do corpo pela mãe, que foi carregado de emoção'', concluiu.
Adão Xavier é mantido em um presídio de Londrina, depois de receber ameaças de morte na carceragem de Cambé. Se for condenado pelos três crimes, o catador pode ficar até 48 anos atrás das grades.

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