São Paulo, 30 (AE) - O delegado Maurício Correali concluiu hoje o inquérito policial que investigou a ex-vereadora Maeli Vergniano. No relatório, o delegado solicitou à Justiça a quebra do sigilo bancário das 10 pessoas indiciadas no inquérito, entre elas a ex-vereadora, seu marido, Josué Magliarelli, o irmão Márcio Vergniano e os ex-assessores Rubens de Moura e Paulo Leite, todos suspeitos de participação em esquemas de cobrança de propina na Administração Regional de Pirituba.
O texto descreve todos os passos da investigação, que durou quatro meses. A polícia concluiu que Maeli comandava um esquema de irregularidade administrativa na Regional de Pirituba, que incluía uso irregular de veículos cedidos pela empresa Vega Ambiental para a regional, cobrança de propina na região e a indicação de funcionários para o órgão. Seu irmão, Márcio Vergniano, por exemplo, foi titular da AR-Pirituba no período em que Maeli controlava politicamente o órgão. Além disso, assessores de seu gabinete na Câmara exerciam irregularmente funções na regional.
Indiciada por peculato e formação de quadrilha, Maeli também é acusada de reter parte dos salários de funcionários de seu gabinete, na Câmara. O fato foi confirmado em depoimentos prestados pelos próprios assessores. O ex-motorista de Maeli, Eliseu Sanches, que trabalhava no gabinete, afirmou que todos os meses era obrigado devolver cerca de R$ 2.700 mil de seu salário para a vereadora. Sanches também confirmou que levava os filhos de Maeli á escola em carros da Vega, conforme foi mostrado nas reportagens da Agência Estado.
Para o delegado Correali, Maeli "formou uma quadrilha composta de assessores de seu gabinete, parentes e certos companheiros de religião." Para isso, ele reuniu provas como as reportagens do jornal O Estado de S. Paulo, listas feitas por Maeli para cobrança de salários de seus funcionários e listas da garagem da Câmara Municipal. Nas listas, ficou registrado que um Uno da Vega pernoitou vários dias na garagem da Câmara, em nome de Maeli.
Também foi citado o boletim de ocorrência relativo ao furto de um carro da Vega em frente à casa da ex-vereadora, na zona norte. O boletim foi registrado por Magliarelli no 9º Distrito Policial (Carandiru).
O relatório encaminhado hoje para o departamento de Inquéritos Policiais (Dipo). Na próxima semana, ele será encaminhado para o Ministério Público estadual, que pode formalizar denúncia contra a vereadora na Justiça. "Os indícios de que a ex-vereadora cometeu os crimes são fortíssimos", adiantou o promotor Roberto Porto.
Não está descartada a hipótese da polícia ou o Ministério Público estadual solicitarem a prisão preventiva da ex-vereadora. Nesse caso, o delegado Correali deve encaminhar uma representação separada ao juiz-corregedor do Dipo, Maurício lemos Porto Alves.

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