São Paulo, 29 (AE) - Os concessionários de veículos reclamam de ter somado nos últimos 5 anos um prejuízo de US$ 6 bilhões com o custo do estoque de carros excedente e mais as perdas provocadas pela baixa remuneração da mão-de-obra, pelas montadoras, nos consertos de veículos em garantia. Este é o primeiro resultado da auditoria que prepara uma representação a ser levada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) até o próximo dia 15.
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) vai entrar com a representação no Cade contra o abuso de poder econômico dos fabricantes de veículos. O valor do prejuízo em 5 anos, anunciado hoje pelo presidente da Fenabrave, Hugo Maia, refere-se a uma quantidade de veículos distribuídos superior ao que o mercado poderia suportar. O valor da mão-de-obra do qual queixam-se os concessionários diz respeito à remuneração das montadoras. Segundo Maia, enquanto as tabelas dos concessionários giram em torno de R$ 50,00 a R$ 70 00 por hora de trabalho, as montadoras chegam a pagar a eles, nos consertos de veículos em garantia, em torno de R$ 9,00 e R$ 10,00.
A auditoria contratada pela Fenabrave para diagnosticar os problemas do setor ainda não foi concluída. Mas a entidade pretende buscar uma forma de fazer as montadoras dividirem com eles o ônus dos estoques.
Eles também reclamam dos aumentos de preços que, argumentam, superaram o poder de compra. Maia explicou hoje que os concessionários defendem meios de tornar a rede mais enxuta, com o agrupamento de revendas em centros únicos de serviços, como oficina.
Mas o empresário condena os chamados megadealers, que representam os grupos com os diversos pontos de venda. "Estes grupos invadem o mercado dos outros e baixam o preço", disse. "Por isso estamos indo ao Cade: para encontrar o direito de proteção", completou.
Maia diz ter o apoio de 2.200 do total de mais de 4 mil concessionários. Segundo ele, esta é a quantidade de participantes que reclamou uma posição da entidade em relação ao assunto durante o último congresso da categoria. "Temos o ponto
mas não temos nenhuma ingerência no produto e nem no preço", disse. "Não queremos que a montadora nos garanta lucro, porque isso depende da administração de cada concessionário", destacou. "Mas queremos margem", completou.
Maia discorda que a Internet ajudará a reduzir o número de concessionários. Segundo ele, a venda pela rede mundial agiliza a comunicação, mas a entrega do veículo ainda depende do concessionário.
O presidente da Fenabrave também questiona o prejuízo que as montadoras argumentam ter. Segundo ele, estas perdas podem até aparecer nos balanços. "Mas o prejuízo de uma multinacional é transitório, enquanto que o mesmo não acontece para um comerciante nacional", disse. "Eu não detesto as montadoras, só que elas foram cuidar da sua dor de barriga e nos deixaram órfãos", completou.

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