São Paulo, 01 (AE) - As montadoras mantiveram o faturamento suspenso hoje à espera da publicação do decreto do acordo emergencial, prometida para amanhã ou quarta-feira. Os concessionários passaram o dia contando os carros em estoque.
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), calculou que há 60 mil unidades nos pátios das mais de 4 mil revendas do País. O presidente da Fenabrave, Hugo Maia, calcula que no mês passado foram vendidos 50 mil veículos no varejo, metade do volume de janeiro.
O cálculo do estoque é necessário porque o governo vai dar um desconto adicional de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) durante os 20 primeiros dias da vigência do acordo para compensar os concessionários pelos carros que eles compraram com imposto mais alto. O mercado reagiu positivamente ao anúncio do acordo emergencial e, como muitos concessionários anteciparam os descontos, diversos negócios foram fechados no fim-de-semana.
Na Trans-Am, concessionária Chevrolet de São Paulo, o gerente Munir Faraj registrou no sábado e domingo movimento 50% maior do que nos quatro finais de semana anteriores. Em conjunto com a fábrica, os revendedores Fiat da região metropolitana de São Paulo baixaram os preços de toda a linha de carros com motor 1.0 em 11%. Se a redução de preços decorrente do acordo emergencial for superior, o cliente receberá a diferença.
Alguns negócios com carros que não serão contemplados pelo acordo porque são da faixa de modelos de luxo acabaram sendo fechados com o aumento do movimento nas lojas. Muitos clientes que passaram pelas concessionárias acabaram levando modelos com motorização acima de 127 HP após serem convencidos pelos vendedores de que esta categoria não vai receber o desconto.
Somente a reação do mercado é que vai determinar se o consumidor vai conseguir descontos além dos previstos no acordo emergencial, que ficarão em 8% em média com a queda do IPI, podendo chegar a 11% a 13% nos Estados que baixarem o ICMS. Se não houver demanda é possível que haja descontos adicionais entre 3% e 5%, segundo previsão dos próprios concessionários.
Mas o setor sabe, ao mesmo tempo, que tem que acelerar o ritmo das vendas para que o acordo emergencial seja renovado daqui a dois meses. O governo federal já avisou que se houver queda na arrecadação, o acordo não será renovado. Para que isso aconteça, é preciso vender nos próximos dois meses 190 mil veículos, segundo cálculos do presidente da Fenabrave.
O acordo emergencial foi fechado na sexta-feira passada. Assim que for publicado o decreto, terá validade por 75 dias. O IPI baixa de 10% para 5% nos carros populares e de 30% e 25% para 17% nos modelos médios (com motor acima de 127hp). Durante os primeiros 20 dias da vigência do acordo o IPI vai ficar dois pontos percentuais mais baixo. Assim, no carro popular o IPI que vai valer nestes 20 dias é de 3%. Mas esses dois pontos não serão repassados ao consumidor. Servem somente para compensar o concessionário pelo valor que ele pagou a mais no estoque.

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