Itu, SP, 23 (AE) - As concessionárias que sucederam a estatal Eletropaulo na distribuição de energia no Estado de São Paulo estão cortando o fornecimento às prefeituras inadimplentes. Entre a noite de ontem e a tarde de hoje, a Empresa Bandeirante de Energia (EBE), que atende 55 municípios do interior e da região metropolitana, suspendeu o fornecimento a quatro prefeituras que estão com débitos acumulados. O corte atingiu as sedes do Executivo e repartições municipais da cidades de Itu, na região de Sorocaba, Guarulhos, na Grande São Paulo, Cruzeiro e Aparecida, no Vale do Paraíba. Dessas, apenas Guarulhos tinha conseguido restabelecer o fornecimento, hoje, por meio de liminar judicial.
Os prefeitos reclamam que as concessionárias não têm a mesma tolerância da antiga estatal para os problemas de caixa dos municípios, que enfrentam dificuldades financeiras. "Está difícil o diálogo com a empresa", disse o prefeito de Itu, Leonel Salvador (PMDB). "Compramos e pagamos em dia a energia que fornecemos", afirmou o assessor de Comunicação da EBE, Roniwalter Jatobá.
Em Itu, além da sede da prefeitura, outras repartições, como a Casa da Cultura, o prédio da Guarda Municipal, a Biblioteca Municipal e a garagem, continuavam sem luz hoje. O débito totaliza R$ 1,05 milhão. A prefeitura pagou as contas dessas repartições, mas a energia não foi religada. A empresa afirma que o pagamento parcial não quita a dívida, cuja parcela maior corresponde à iluminação pública. O secretário municipal de Justiça, Alcides Geronutti, pretende pedir amanhã o religamento na Justiça.
A prefeitura de Guarulhos deve R$ 8,7 milhões e teve cortada a energia do Paço e de outras três repartições, até conseguir a liminar. A EBE tentava hoje cassar a medida judicial e cortar outra vez o fornecimento. Segundo a assessoria, a empresa fechou o ano passado com um déficit de R$ 84,4 milhões e grande parte deve-se à inadimplência dos municípios. A maioria das prefeituras fez acordo, parcelando a dívida em até 12 vezes, mas Itu só apresentou uma proposta após o corte. A prefeitura queria pagar em 30 vezes e a empresa não aceitou. Guarulhos, Cruzeiro e Aparecida não propuseram acordos. Segundo a assessoria, as prefeituras também cobraram da empresa dívidas de impostos e ela pagou o que devia.
As demais concessionárias de energia estão agindo da mesma forma. A Eletropaulo Metropolitana, que atende 24 municípios da Grande São Paulo, convocou as prefeituras para negociação, segundo assessor de Imprensa Jânio José da Silva. "A concessionária tem de prestar contas a seus acionistas e, para eles, prefeitura é um consumidor com os outros", disse. A empresa chegou a cortar a energia de prédios públicos de Diadema
no início do ano.
A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), que atende 234 municípios, continua negociando com os municípios devedores, mas ainda não suspendeu o fornecimento às prefeituras. A Elektro também está negociando com os municípios.

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