A Rodovia das Cataratas S.A. fechou ontem à tarde, mais uma vez, um dos desvios da praça de pedágio na BR-277, entre Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu (43 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). A concessionária abriu uma valeta no acesso à estrada de terra,
que fica no lado esquerdo da rodovia, no sentido Foz-Cascavel. A decisão da empresa revoltou usuários , que usavam o trecho para fugir do pedágio.
O buraco escavado tem 1,5 metro de profundidade, 15 metros de comprimento e 2 metros de largura. Com a terra removida do local foram feitas duas pequenas barreiras ao redor do vão. O bloqueio impede a passagem dos motoristas acostumados a usar a via de 3,3 quilômetros de extensão, cuja saída passa pela Fazenda Mitacoré, ocupada pelo Movimento dos Agricultores Rurais Sem Terra (MST) desde 1997.
A concessionária abriu um outro acesso para a BR-277, a menos de 100 metros da praça de pedágio, cujo portão de ferro é controlado por dois seguranças de uma empresa terceirizada. A ordem é permitir a passagem somente dos automóveis e máquinas agrícolas das 15 famílias de agricultores que moram na comunidade de Barro Preto, onde funcionava o desvio.
Em nota oficial divulgada ontem, a concessionária afirma que ‘‘o acesso é ilegal, conforme portaria 260/2000 do Departamento de Estradas e Rodagem (DER)’’. Segundo o comunicado, o desvio frauda o recolhimento legal do pedágio, assegurado em lei e estabelecido em contrato mantido pela concessionária com o poder concedente. Destaca ainda que todas as ações foram tomadas com o conhecimento das prefeituras de Santa Terezinha e São Miguel do Iguaçu, Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público (MP).
O promotor de São Miguel do Iguaçu, Haroldo Nogiri, alerta que o portão de ferro deve ser mantido no acesso à BR-277 durante 30 dias. Depois desse prazo, a estrutura terá de ser retirada do local. Nogiri analisa que o efeito das cancelas não é o mesmo da valeta aberta ontem. Ele afirma que as cancelas impediam a passagem de dezenas de moradores na área agrícola à direita da rodovia. Já o desvio bloqueado ontem deveria ser usado apenas pelas 15 famílias do Barro Preto. ‘‘Quem utiliza o desvio está fraudando a lei’’, resumiu. Em 12 de fevereiro, ele comentou que as cancelas transmitiam ‘‘uma conotação de constrangimento, de impedimento aos motoristas’’.

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