Londrina – O Centro Judiciário de Conciliação, Solução de Conflito, Mediação e Cidadania (Cejuscon), vinculado à Justiça Federal, realizou ontem um mutirão para tentar contornar um problema comum nas praças de pedágios da região: motoristas que passam sem pagar a tarifa. A Viapar, concessionária que explora as rodovias das regiões Norte e Noroeste do Estado, registra em média mil casos nas seis praças de pedágio de sua responsabilidade. A maioria ocorre na unidade de Arapongas.
A Viapar buscou resgatar em 43 processos extrajudiciais R$ 48 mil dos usuários (39 pessoas físicas e jurídicas). "O objetivo é inibir esta conduta, que vem aumentando nos últimos anos. Buscamos apoio do Judiciário para melhorar a formação do usuário. O trânsito não pode ser interpretado de forma individual, mas coletiva. Ao acelerar e evadir o pedágio o condutor infringe leis de trânsito e coloca em risco a integridade física das pessoas", salientou o advogada da concessionária, Vanessa Morzelli.
A empresa registrou sete acidentes nos últimos anos nas cancelas do pedágio. Em Arapongas um trabalhador foi atropelado e ficou em estado grave.
Os acordos chegaram a 80% dos casos. A empresa não cobrou multa, apenas os valores das tarifas. Uma transportadora de Arapongas quitou o débito de R$ 13 mil em oito vezes. O motorista Antonio Lopes tinha uma dívida menor e pagou à vista R$ 103. "Melhor este acordo. Não vou (mais fazer isso) porque não compensa", disse.
O desempregado Nilton Sorprezo saiu sem acordo da sala de conciliação. Ele deve R$ 1,5 mil por furar o pedágio cerca de 300 vezes. "Eu morava em Cambé e trabalhava em Arapongas. Se o pedágio fosse um preço justo, qualquer um pagaria. Agora, arcar com R$ 12 todo o dia era complicado. A Constituição diz que eu tenho direito de ir e vir", desabafou. Ele deve ser processado judicialmente.
A Viapar cobra dívidas de nove motoristas na Justiça. Ano passado, a empresa protocolou 104 notificações extrajudiciais para tentar receber o pagamento da tarifa do pedágio, mas os casos ainda não foram apreciados.
O juiz da 2ª Vara da Justiça Federal, Gilson Luiz Inácio, aprovou a formatação dos casos. "É uma tentativa de conscientização, (furar) não é o meio democrático mais correto de contestar o pedágio", ponderou.

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