Concessão de gás natural no noroeste será implantada em um ano
Ribeirão Preto, 12 (AE) - O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, disse hoje em Ribeirão Preto que a segunda fase de implantação do processo de abastecimento de energia por meio de gás natural em São Paulo deverá estar concluído em um ano, com a concessão da área correspondente aos 375 municípios da região Noroeste do estado, que incluem Ribeirão Preto, Araraquara, São Carlos, Franca, Bauru, Marília e São José do Rio Preto.
Segundo o secretário, depois do primeiro passo do processo, que será marcado pela audiência pública convocada para o próximo dia 25 de agosto, deverá ser publicado o edital em meados de setembro, para que as obras comecem até o final do ano. De acordo com o presidente da Comissão de Serviço Público de Energia do Estado de São Paulo, Zevi Khan, a concessão deverá ser por um prazo máximo de 30 anos, podendo ser prorrogado por mais 20 anos. A exemplo do que já ocorre com a Comgás, deverá haver um período de exclusividade para a concessionária por 12 anos.
"Ainda não temos o valor preciso do investimento, mas isso já deverá estar disponível na época da audiência pública pelo menos", acredita ele. A comissão possui um convênio com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) por cinco anos e deverá ser a responsável por fiscalizar os serviços nessa área de concessão da região noroeste, além de formular padrões e garantir a proteção de tarifas. Em sua palestra durante o seminário sobre Gás Natural em Ribeirão Preto, Khan explicou que somente para a região de Ribeirão Preto deverão necessários 200 quilômetros. Para cada cem quilômetros são necessários investimentos de R$ 15 milhões. A área da região noroeste, segundo ele, possui um total de 120 mil quilômetros quadrados com um consumo de 3,60 milhões de MW.
Mauro Arce estimou hoje que a utilização do gás natural como fonte de energia deverá representar 10% do total da matriz energética do estado em um prazo de oito anos. Segundo ele, o processo de "conquista do consumidor" deverá ser lento no início, mas "tende a aumentar gradativamente".
Arce disse ainda que o fator preço não deverá influenciar futuramente. "Houve um aumento nacional necessário para que o gás que chega da Bolívia se adequasse aos seus custos internacionais, já que nossa previsão anterior estava dentro de um cronograma em que o real não estava desvalorizado frente ao dólar", comentou.
Apesar do aumento, ele defendeu a tese de que o preço do gás natural equivale a 80% do preço do óleo combustível, se comparados com quanto ao seu desempenho e consumo. "As empresas começarão aos poucos a fazer os investimento s para transformar sua planta industrial para receber energia a gás. Isso demanda tempo e dinheiro", disse ele. O secretário está participando hoje do Seminário "Gás Natural Como Fator de Desenvolvimento Regional", que a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACI-RP) está promovendo em parceria com a Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná (ADTP).
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, José Eduardo Molina, disse que a Fiesp está programando uma "participação mais efetiva" durante a audiência pública que deverá determinar a abrangência do abastecimento de gás natural na região noroeste do Estado, marcada para acontecer na Bovespa no próximo dia 25.
Segundo ele, a estratégia será levar o maior número de representantes das empresas maiores consumidoras que estão instaladas na área da concessão. "O maior temor é que apenas os investidores do projeto estejam presentes para falar sobre isso e acabe ocorrendo como no caso da privatização das rodovias estaduais, quando ninguém se deu conta do problema que só agora está vindo a tona, com o excessivo número de pedágios", comentou.





