São Paulo, 30 (AE) - A se julgar pelo peso que tem no comércio internacional, o Brasil entra hoje na reunião ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio), em Seattle
EUA, com quase nenhum poder de barganha. O País é responsável pela movimentação de apenas 1% do total mundial das transações de importação e exportação, número que, segundo especialistas, não faz jus ao potencial comercial brasileiro. O comércio mundial movimenta, anualmente, cerca de US$ 5 trilhões.
Um dos grandes entraves à expansão do comércio internacional brasileiro, no entanto, está fora do âmbito de resoluções da OMC. Esse entrave, segundo o professor Adolpho Canton, especialista em comércio internacional da USP, é a concentração das exportações nas mãos de um pequeno número de empresas. No ano passado, por exemplo, 14 mil companhias brasileiras venderam ao exterior. Desse total, 84 concentraram 49% das exportações. Cerca de 320 responderam por outros 26%. "As pequenas e médias empresas precisam entrar no sistema de exportações", diz o professor.
A OMC é fundamental para diminuição das barreiras ao comércio e facilitação do acesso a mercados, no entanto, afirma Canton, o País precisa criar uma cultura, que ainda não existe, de vender para fora.
Na avaliação do professor, um programa de incentivo às exportações precisa abrir espaço para negociação com câmeras de comércio de outros países, participação em feiras internacionais
criação de feiras internacionais no Brasil, desenvolvimento de atividades junto às embaixadas brasileiras e esforços para formação de técnicos competentes. "É preciso quebrar internamente o receio do comércio e se apresentar como comprador e vendedor aos outros países". No momento, o professor acredita que o cenário para as exportações brasileiras é bastante positivo porque, segundo ele, o comércio internacional do País é uma criança que está começando a dar os primeiros passos.

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