Concentração de redes do varejo preocupa Fiesp
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sexta-feira, 10 de setembro de 1999
Por José Antonio Rodrigues 
São Paulo, 11 (AE) - A concentração do varejo está causando muita preocupação à indústria. Tanta, que Horácio Lafer Piva, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), decidiu levar o assunto para dentro da entidade e discuti-lo oficialmente. Depois que as indústrias chegarem a um consenso sobre o assunto, vão chamar os lojistas para tentar encontrar uma solução para o futuro do relacionamento das duas pontas empresariais no Brasil.
Piva disse que pretende manter as discussões no setor privado, sem envolver o governo. "Essa concentração no varejo vai acabar provocando concentração também na indústria, o que não é bom para ninguém", disse. No seu entender, grandes indústrias absorverão as pequenas e é preciso discutir a nova situação.
"Vamos analisar esses movimentos com o intuito de abrir um processo de negociação e não de enfrentamento, vamos tentar montar um ganha-ganha, uma forma de não haver tantas perdas." Para Piva, é possível pensar em alternativas por meio de acordos ou pela legislação.
Outro assunto que está sendo tratado com muita cautela é a velocidade das aquisições e fusões no País. "Estamos vendendo patrimônio a preço de banana", diz Piva. A desnacionalização da propriedade e do capital, que tomou conta do Brasil, já afeta toda a América Latina, argumenta. Ele explica que a percepção da abrangência continental desse problema é mais clara entre os políticos. "Mas já está chegando ao meio empresarial." A tendência inevitável, raciocina, é começar um movimento de conjunção de forças políticas e empresariais para responder ao avanço dessa ofensiva, feita em nome da globalização.
"Não vamos mais entrar nessa globalização sem mapa e sem bússola", disse. "Precisamos discutir o processo todo." Piva disse que essa insatisfação foi registrada antes pelos partidos políticos de oposição, "mas não está mais só na oposição" e já é corrente no meio empresarial.
Uma das esperanças dos industriais está na nomeação de Alcides Tápias para o Ministério do Desenvolvimento. "Ele não é um yes man, não vai sair brigando fora do governo, mas vai enfrentar, tentar realizar, ele tem disposição", disse Piva. Outro item positivo da pauta é a reforma tributária, mas o presidente da Fiesp acha que ela será apenas parcial.
Ao participar da cerimônia de entrega de prêmios da Associação Brasileira dos Provedores de Internet (Abranet), quinta-feira, Piva disse que os investimentos externos diretos estão sendo vistos com cuidado também, já que cresceram mais no ramo de serviços. Os investimentos estrangeiros diretos (IED) nos ramos de serviços não envolvem setores exportadores, de bens transacionáveis, e portanto não trarão divisas, avalia um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal). Mas provocarão remessas de dividendos.
A cada US$ 10 bilhões investidos no setor de serviços, haverá uma remessa de US$ 1 bilhão por ano. O que, argumentam os especialistas da Cepal, provocará pressões futuras sobre o balanço de pagamentos.
Os dados da Cepal são ponto de referência para essa análise e estão sendo vistos com lupa na Fiesp. O estudo, intitulado "Brasil, forte incremento dos fluxos de investimentos diretos estrangeiros e as futuras pressões sobre o balanço de pagamentos", foi feito com base em números do Banco Central do Brasil e mostra que atualmente os serviços são responsáveis por mais de 60% dos IED acumulados no País.


